Empresas de segurança privada contestam recolha de armas de guerra pela polícia
Empresas de segurança privada contestam recolha de armas de guerra pela polícia
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A operação de recolha compulsiva de armas de guerra em posse das empresas privadas de segurança, iniciada pela Polícia Nacional no dia 19 de fevereiro, está a gerar forte contestação por parte dos operadores do sector, que alertam para o aumento da vulnerabilidade das instituições que protegem.

Ao Imparcial Press, os responsáveis das empresas argumentam que substituir armas de guerra por armamento de defesa, como espingardas de calibre 12 mm e pistolas semi-automáticas de calibre superior a 6.75 mm, pode expor os agentes de segurança privada a grupos de marginais que continuam a utilizar armamento pesado nas suas investidas criminosas.

“Se mesmo com armas de guerra já somos alvos frequentes dos criminosos, imaginem agora, com armas de defesa muito menos eficazes? Isto é brincar com a nossa segurança e a dos bens que protegemos”, afirmaram agentes de segurança privada que prestam serviço em agências bancárias, lojas e armazéns em Luanda, sob condição de anonimato.

A Polícia Nacional justifica a medida com o elevado número de armas de guerra que acabam por cair em mãos erradas. Segundo o subcomissário Mateus de Lemos Rodrigues, director-adjunto da Direcção de Comunicação Institucional e Imprensa do Comando Geral da Polícia Nacional, entre Janeiro de 2024 e Fevereiro de 2025, as empresas privadas de segurança perderam 254 armas para grupos criminosos.

O responsável explicou que a operação surge após um período de entrega voluntária iniciado em Janeiro de 2024, com prazo inicial até 31 de Julho, posteriormente prorrogado até 31 de Dezembro do mesmo ano. Durante esse período, as empresas entregaram 1.548 armas, restando ainda cerca de 40.494 por recolher.

“A operação prevê a retirada dessas armas e a substituição por armamento permitido por lei, garantindo que todas as empresas de segurança privada e sistemas de auto-proteção cumpram a regulamentação vigente”, esclareceu Mateus de Lemos Rodrigues, sublinhando que as forças policiais estão mobilizadas em todo o território nacional para o cumprimento da medida dentro do prazo estabelecido, que decorre até 5 de Março.

O subcomissário assegurou ainda que foram licenciadas empresas especializadas para a venda de armas adequadas, bem como centros de formação profissional para garantir o treinamento adequado dos agentes de segurança.

Apesar das justificações oficiais, os operadores do sector continuam a demonstrar preocupação, defendendo que a medida deveria ser acompanhada de uma campanha mais abrangente, incluindo a recolha de armamento em posse da população civil, de forma a equilibrar as condições de segurança no país.

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