Ensino superior: O deixa andar e as suas consequências – Valentino Cuquende Castro
Ensino superior: O deixa andar e as suas consequências – Valentino Cuquende Castro
MESA

O ensino superior é, por excelência, o lugar de prestígio sapiencial, ou seja, é ali onde o indivíduo tem a sala de aulas como uma oficina mecânica ou um hospital onde o estudante/indivíduo adquire as ferramentas suficientes para dar o seu contributo ao crescimento e desenvolvimento da sociedade que o circunda.

Num dia qualquer de Novembro de 2022, deambulava na parte alta da cidade do Huambo, vi um número gigante de jovens (homens e mulheres) com becas que saiam da cerimónia de recepção de outorga de diplomas, ao ver aquilo, tive de reduzir a minha marcha para observar o escândalo que se manifestava naquele espaço e depois refletir melhor sobre aquilo que via.

Passados alguns segundos, vi algumas jovens, as supostas licenciadas, com canudos (que não eram de gelados), mas sem becas porque pelo que percebi, entenderam exibir os seus atentados ao pudor, ou seja, pela forma como se vestiram, não é higiênico chamá-las de licenciadas e não acredito que os seus pais ou familiares autorizaram sair de casa daquela forma.

Depois de uma hora e tal, entendi fazer uma visita ao meu facebook e foi quando me deparei com vários postes de imagens e textos com erros de ignorância ou erros de palmatória dos recém diplomados, ou seja, dos futuros professores, ministros, deputados, enfermeiros, médicos, juristas e etc..

Ao olhar para aquela situação, sem papas na língua, fiquei pasmado, pois “sa la cimola” (nunca vi) e no mesmo instante, lembrei-me das palavras do nosso bom mestre da academia, na sua unidade curricular de Ética e Deontologia Profissional, o Dr. Firmino David que hoje é o bispo do Kwanza Sul, quando dizia que “o estudante universitário tem de brilhar em qualquer parte onde estiver”.

Apegando-se a este pensamento, depreende-se que, o estudante universitário tem de ser uma lâmpada que ilumina qualquer escuridão, logo, percebi que as jovens não estavam autorizadas para brilhar, nem para iluminar a escuridão como a sociedade espera, ou seja, elas precisam também de uma lâmpada.

Dando epílogo nesta pequena reflexão, percebo que as instituições de Ensino Superior em Angola têm feito muito, pois nós somos produtos de algumas, porém, algumas estão mais viradas para o lucro e não comprometidas com a ciência como devia ser, tal como orienta o padre Alfredo Chimbinda e passo a citar: “O professor deve comportar-se como um médico, não pode dar alta a um paciente que não esteja curado“, fim de citação. Dito de outra forma, o professor não pode fazer aprovar um estudante que não sabe, ponto final.

Portanto, as instituições precisam rever-se neste quesito, pois não se pode normalizar um licenciado confundir MAIS (advérbio de quantidade) de MAS (conjunção adversativa), escrever PAÇAR ao invés de PASSAR, OUTRO SIM ao invés de OUTROSSIM, DEMAIS ao invés de ADEMAIS, só para exemplificar estes, além das insuficiências da área de especialização.

Nesta conformidade, as instituições em voga devem, antes de tudo e mais nada, primar pela qualidade, pois o professor que permite o seu aluno/estudante terminar o Ensino Superior com essas insuficiências não ama o seu pupilo e pior um pouco os seus filhos que podem vir a ter o azar de se deparar/calhar com este(a) incompetente em qualquer instituição.

As Instituições de Ensino Superior devem lembrar-se de que o produto acabado da instituição vende, ou seja, um indivíduo bem formado numa instituição pode trazer vários aspirantes ao Ensino Superior sem fazer alguma publicidade que custe dinheiro, pois eles têm uma referência repleta de inspiração.

A máxima do trigo e o joio na academia não pode vincar, pois as consequências que podem advir podem se refletir a todos nós como: ter um funcionário incompetente, um funcionário arrogante, um péssimo dirigente institucional porque não sabe, falta de emprego e conflito com os colegas por incompetência e entre outros.

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