
A chuva arrasou o Lobito e a Catumbela. Vinte e três mortos. Um rasto de destruição ainda por medir. Foi na semana passada. Neste domingo, tudo voltou a acontecer. Com mais força. Com mais violência.
O dique do rio Cavaco cedeu. As águas romperam contenções. Avançam sem travões. Benguela e arredores estão submersos no caos.
O saldo é pesado. 4.500 pessoas afectadas. Acolhidas no antigo Parque de Campismo dos Navegantes. Seis mortos confirmados. Duas pessoas desaparecidas. A linha férrea entre Massangarala e Tchipiandalo colapsou.
As próximas horas vão ser críticas. Os próximos dias vão ser duros. A cólera ameaça. O risco é real. Há sofrimento. Há vidas em perigo. Benguela vive um estado de emergência social não declarado.
As acácias estão pálidas. Não há cor. Não há vida como antes. O matrindindi está calado. A kuribeka está de braços caídos. Nada responde. A comunidade perdeu voz. A rotina cedeu. A normalidade acabou. A situação é política. É de comando. É de Estado. Exige decisão ao mais alto nível.
Existe uma Lei de Protecção Civil em Angola. Ela tem de ser activada. Não é opcional. Prevê prevenção. Prevê resposta. Prevê acção. As autoridades provinciais estão no terreno. Mas o terreno já não chega. A dimensão da crise ultrapassa o nível local.
Exige direcção nacional. Exige mobilização de meios do Estado. Exige decisão clara.
Benguela repete o mesmo ciclo. O de enxurrada de negligência. Outra vez. E a repetição é falha. É risco acumulado. É sofrimento evitável. O momento é de verdade política.
A Presidência da República deve pronunciar-se. Sem demora. A gravidade dos acontecimentos exige clarificação. Exige liderança. Exige decisão. Política.
*Jornalista