
O Procurador Geral da República, general Hélder Fernando Pitta Gróz, exonerou há poucos dias o responsável máximo da Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP), Wanderley Bento Mateus, e os seus principais colaboradores, depois de haverem suspeitas de que esta direcção havia enviado a Presidência da Republica, um relatório sobre os escândalos de corrupção de Joel Leonardo com dados omissos.
A DNIAP é o órgão da PGR que sob o processo n.º NUP 9240, investiga os escândalos de corrupção do juiz presidente do Tribunal Supremo, e que está igualmente encarregue de produzir um relatório confidencial denominado por “Ponto de Situação”, destinado a atualizar o Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço.
Até a presente data, foram enviados dois relatórios ao gabinete presidencial. Porém, foi notado que dos oito crimes praticados por Joel Leonardo, terão ocultado transações comprometedoras de pagamentos que Joel Leonardo mandou fazer para a empresa de limpeza MAIVA – Gestão e Investimentos, Lda, controlada pela sua esposa, Isabel Gamboa Leonardo, tal como operações para a empresa IMPORLAB, Lda, oficialmente detida seu sobrinho Silvano António, mas controlada pelo filho Vanur de Abreu Isau Leonardo, e por Pedro Chipuka Diturra “Dito”.
Prevenindo-se de eventuais descobertas de que estaria a proteger Joel Leonardo, o director cessante do DNIAP, Wanderley Bento Mateus, produziu no dia 13 de Abril, uma circular interna de número 02/2023, ameaçando os funcionários sobre eventuais fugas de informações. Proibiu também aos colegas a entrada no edifício da DNIAP, de telefones com câmara de filmar e acesso a internet.
O interesse do procurador Wanderley Bento Mateus, em remeter relatórios ocultando operações comprometedores efectuadas por Joel Leonardo, é por conta da grande amizade que o liga a Salomão Raimundo Kulanda, primo do juiz presidente do Tribunal Supremo.
Kulanda, é igualmente juiz desembargador que trabalha no gabinete do primo Joel Leonardo. A esposa do mesmo, é uma procuradora da DNIAP, por conseguinte subordinada de Wanderley Mateus.
O primo Kulanda é o juiz que a quem Joel mandou produzir um circular número 10/CICGT.CSMJ/2022, com o tema “solicitação de transferência”, na qual ordena todos os tribunais a depositarem as arrecadações para uma conta bancária no banco BCI, controlada por Joel Leonardo.
Por conta destas ligações, o juiz Salomão Kulanda é o único elemento da rede de Joel Leonardo que, até pouco tempo, a DNIAP, mostrava residência em notificar.
Ao ser afastado, director Wanderley Bento Mateus, foi substituído pelo procurador Pedro Mendes de Carvalho, que numa fase inicial vai atuar como coordenador da DNIAP.
O novo responsável vai responder igualmente pela Direcção de Combate à Corrupção. Segundo o Club-K, a estratégia identificada no pensamento de Pitta Gróz, é de em breve fundir as duas referidas direcções. Foi também nomeado um coadjutor da DNIAP, Arlindo Júlio Francisco.
Wanderley Bento Mateus, por sua vez, foi desterrado para a província da Huíla, como coadjutor da Região Judiciária Sul da Procuradoria Geral da Republica, com efeitos a partir do dia 03 de Julho.
Até final de Junho, o novo coordenador da DNIAP deverá remeter a Presidência da República, um terceiro relatório de todas as operações que Joel Leonardo realizou das contas bancárias do Tribunal Supremo para as empresas dos seus familiares, a pretexto de terem realizado trabalhos de limpeza e jardinagem.
Apesar de todos os crimes enumerados e documentados, o Presidente angolano diz que não teve, até agora, motivos para afastar do cargo o presidente do Tribunal Supremo, Joel Leonardo, justificando que é necessário haver fundamentos para tomar esta decisão.
in Club-K