Escravatura lourencista: Grupo Carrinho explora camponeses – Luís Moniz
Escravatura lourencista: Grupo Carrinho explora camponeses - Luís Moniz
carrinho agri

O Grupo Carrinho, por meio da sua subsidiária agrícola Carrinho Agri, tem sido alvo de severas críticas pelos camponeses da província de Benguela. As alegações de exploração e práticas que se assemelham à escravatura moderna, ou seja, lourencista, são extremamente preocupantes e exigem uma análise profunda.

Os camponeses da região têm solicitado que o preço de compra do quilograma de feijão seja reajustado para acima de mil kwanzas, em contraste com a proposta do Grupo Carrinho de apenas 750 kwanzas.

Este valor, significativamente inferior ao preço praticado no mercado informal, onde o quilo de feijão pode chegar a custar dois mil kwanzas, é insustentável para os pequenos agricultores.

A discrepância entre os preços revela uma dinâmica de poder que favorece o Grupo Carrinho – que conta com o apoio do Governo de João Lourenço – em detrimento dos produtores locais, criando um ciclo de pobreza e dependência.

A prática de oferecer preços baixos pelo feijão força os camponeses a venderem os seus produtos por valores que mal cobrem os custos de produção. Esta situação não só impede o desenvolvimento económico das famílias agricultoras, mas também as mantém em uma condição de vulnerabilidade constante.

Em muitos aspectos, pode-se argumentar que este modelo de negócio se assemelha a uma forma moderna de escravatura, onde os trabalhadores são compelidos a aceitar condições de trabalho e remuneração que os privam de uma vida digna.

Além disso, a insistência do Grupo Carrinho em manter os preços baixos está causando um impacto significativo na dinâmica do comércio regional. Com a proposta de 750 kwanzas por quilo, os agricultores são incentivados a exportar o seu feijão para a República Democrática do Congo (RDC), onde podem obter melhores preços.

Esta situação cria um paradoxo onde, ao invés de fortalecer a economia local, as práticas do Grupo Carrinho estão promovendo a fuga de recursos para o exterior.

É essencial que se estabeleça uma política justa e sustentável que valorize o trabalho dos camponeses e garanta preços que reflitam o verdadeiro custo da produção e o valor dos produtos. O Governo e as autoridades reguladoras têm um papel crucial a desempenhar na protecção dos direitos dos agricultores e na promoção de um mercado mais equilibrado e justo.

A exploração dos camponeses pelo Grupo Carrinho não pode ser ignorada. Trata-se de um exemplo claro de como grandes corporações podem exercer um controle desproporcional sobre os pequenos produtores, perpetuando a pobreza e a desigualdade.

Para que haja um desenvolvimento agrícola sustentável e equitativo, é imprescindível que se ouçam e atendam as necessidades dos camponeses, garantindo-lhes condições dignas de trabalho e remuneração justa. Somente assim será possível construir uma sociedade mais justa e próspera para todos.

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