
Em França, o departamento do Rhône está a ser alvo de graves acusações de corrupção e má gestão administrativa que têm prejudicado milhares de cidadãos franceses e estrangeiros.
O escândalo, que envolve directamente funcionários da prefeitura liderada por Fabienne Buccio, prefeita da Região Auvergne-Rhône-Alpes e da Zona de Defesa e Segurança do Sudeste, prende-se com a retenção e dificuldades de acesso a documentos oficiais.
De acordo com as denúncias, os serviços administrativos da prefeitura do Rhône estariam a direccionar os utentes para um único cybercafé, situado junto à instituição, como única via possível para submissão de pedidos e renovação de documentos.
Esta prática transforma um direito básico em um processo condicionado, onerando financeiramente os cidadãos e gerando suspeitas de corrupção organizada.
O impacto da situação é particularmente grave para os estrangeiros residentes em França, que dependem da carte de séjour, título de residência que garante a legalidade da permanência e o acesso ao mercado de trabalho.
Muitos utentes relatam que os seus processos permanecem retidos na prefeitura há meses, impossibilitando a retirada e renovação do documento.
“Sem a carte de séjour válida, não posso trabalhar, não posso viajar e até mesmo abrir uma conta bancária se torna um problema. Estou há mais de seis meses sem respostas, a minha vida está parada”, lamentou um cidadão angolano residente na região.
Outro imigrante, de nacionalidade argelina, explicou que foi suspenso do trabalho devido à caducidade do documento, embora tenha entregue todos os papéis exigidos em tempo útil.
“A empresa não pode manter-nos no quadro sem um título de residência válido. Estou sem salário e com a minha família em risco de perder a casa”, denunciou.
As queixas multiplicam-se, apontando para uma gestão que compromete não apenas a eficiência administrativa, mas também os direitos humanos básicos, deixando centenas de famílias sem meios de subsistência.
Apesar da gravidade das denúncias, até ao momento não foram anunciadas medidas concretas por parte das autoridades francesas para investigar ou resolver a situação.
Para os cidadãos afectados, a demora da prefeitura representa não só a violação de direitos fundamentais, mas também uma ameaça ao seu futuro.
O caso expõe, mais uma vez, que práticas de corrupção e má gestão não são exclusivas de países em desenvolvimento. Em pleno coração da Europa, um dos países que se apresenta como modelo de democracia e legalidade enfrenta acusações sérias de práticas administrativas que estão a fragilizar a confiança dos cidadãos no Estado.