
Os Estados Unidos da América anunciaram, esta terça-feira, a mobilização de cerca de cinco mil milhões de dólares para reforçar o financiamento do Corredor do Lobito, com vista à sua expansão e à captação de novos investimentos para esta infraestrutura ferroviária estratégica para a região da África Austral.
A revelação foi feita em Luanda por Troy Fitrell, responsável sénior do Bureau dos Assuntos Africanos do Departamento de Estado norte-americano, durante uma conferência de imprensa no âmbito da Cimeira EUA-África, que decorre na capital angolana até quinta-feira.
Segundo o diplomata, aproximadamente metade do montante agora mobilizado “não constava da proposta inicial”, tendo sido alocado posteriormente em virtude da relevância geopolítica e das oportunidades económicas geradas pelo corredor ferroviário, que liga os portos de Angola, RDC e Zâmbia.
Questionado sobre o alegado atraso no início da implementação efectiva do financiamento, previsto inicialmente para o primeiro trimestre deste ano, Fitrell justificou que tal se deve à complexidade do projecto, que envolve múltiplas jurisdições, operadores e processos logísticos.
Ainda assim, garantiu que “a execução não está em risco”, reafirmando o compromisso dos Estados Unidos com a conclusão e operacionalização do corredor.
“Acreditamos profundamente no potencial transformador desta infraestrutura, que representa oportunidades de crescimento económico para Angola, para a região e para os EUA”, sublinhou.
Já Tom Hardy, director interino da Agência de Desenvolvimento do Comércio dos EUA, adiantou que Washington tem em carteira diversos projectos para o continente africano, com destaque para os sectores da energia, transportes e tecnologia.
Organizada pelo Corporate Council on Africa (CCA), em parceria com o Governo angolano, a Cimeira EUA-África reúne mais de 2.800 participantes, entre líderes empresariais, investidores e representantes governamentais dos Estados Unidos e de vários países africanos.
Ao longo de três dias, estão em debate temas-chave como comércio, investimento, energia, infraestruturas, agro-negócio, saúde, inovação tecnológica e indústrias criativas.
O programa inclui sessões plenárias de alto nível, encontros de networking, mesas-redondas setoriais e uma feira de exposição de soluções tecnológicas.
Esta edição realiza-se num ano simbólico para Angola, que celebra em Novembro o 50.º aniversário da sua independência. Desde 1997, o CCA organizou 16ª edições da Cimeira, em cidades norte-americanas como Washington, Chicago e Dallas, bem como em países africanos, entre os quais África do Sul, Moçambique, Marrocos e Botswana.