Estratégia para uma verdadeira alternância de poder em Angola – Nelson Mucazo Euclides
Estratégia para uma verdadeira alternância de poder em Angola - Nelson Mucazo Euclides
Nelson euclides

Nos últimos tempos, tenho observado com preocupação um aumento de distrações políticas promovidas por partes da sociedade civil e alguns partidos da oposição, como a UNITA e o PRA-JA.

Com todo o respeito que estas forças merecem, é importante dizer com clareza: muitas dessas ações têm sido desnecessárias e insuficientes diante da complexidade do que enfrentamos.

O MPLA é um partido com mais de meio século de domínio sobre o Estado. Detém não apenas o poder político, mas também o controlo sobre instituições fundamentais, como o sistema de justiça, os meios de comunicação e os recursos públicos.

Para remover um regime com este nível de enraizamento, não bastam manifestações isoladas e desorganizadas, anunciadas em redes sociais com baixo alcance num país onde a maioria ainda enfrenta dificuldades básicas, como o acesso à internet.

A queda do MPLA exigirá uma estratégia nacional, sólida, inteligente e corajosa. É necessária uma grande aliança política e cívica – um verdadeiro acordo de Estado – que una todas as forças sociais e políticas comprometidas com a mudança.

Este acordo deve envolver não apenas os partidos da oposição e a sociedade civil, mas também membros do próprio MPLA que, silenciosamente, já reconhecem a necessidade de uma nova Angola.

Devemos avançar para a criação de uma comissão nacional de negociação e transição, composta por pessoas sérias, patriotas e com credibilidade.

Esta comissão deve liderar o processo de pacificação, diálogo e reforma, preparando o caminho para uma alternância de poder ordenada e democrática.

Enquanto outros países africanos lutam pelo progresso do continente, Angola continua travada em batalhas por serviços básicos, com muitos dos seus jovens condenados ao desemprego, à pobreza e à bajulação como forma de sobrevivência. O tempo de discursos e de lutas improvisadas acabou. Agora é hora de união, maturidade política e trabalho coordenado.

A manifestação popular é legítima e importante, mas sem uma estrutura política bem definida e uma visão clara de transição, ela corre o risco de se tornar apenas mais um grito no vazio. Precisamos agir com inteligência e responsabilidade. Angola merece mais. E é agora que devemos começar.

*Activista

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