Estudantes de medicina dentária da Universidade de Belas denunciam irregularidades no estágio
Estudantes de medicina dentária da Universidade de Belas denunciam irregularidades no estágio
unibelas

Um grupo de estudantes do 4.º ano do curso de Medicina Dentária da Universidade de Belas (Unibelas) manifestou preocupação e insatisfação face à reprovação em larga escala no estágio supervisionado, cujas notas foram divulgadas em Setembro, apurou o Imparcial Press.

De acordo com os alunos, a coordenadora do curso de medicina dentária, Lília Luís, justificou a reprovação alegando que muitos não atingiram a meta de pacientes necessária para aprovação, embora a universidade não tenha formalmente estipulado esse critério.

Os estudantes alegam que a exigência de um número mínimo de pacientes nunca foi previamente estabelecida pela instituição.

“Fomos reprovados sem uma orientação clara e oficial sobre metas de pacientes. Emitimos um documento à universidade a expressar o nosso descontentamento, mas até ao momento não recebemos nenhuma resposta concreta, além de conversas sem ação efectiva”, afirmou um estudante que pediu anonimato.

A situação é vista como particularmente injusta, uma vez que, segundo os estudantes, colegas que abandonaram o estágio foram aprovados e promovidos ao 5.º ano, enquanto aqueles que completaram o ano lectivo e participaram activamente no estágio não conseguiram aprovação.

O estágio supervisionado inclui cinco cadeiras, e cada uma deveria ser avaliada por professores distintos. No entanto, os alunos relatam ao Imparcial Press que as notas foram lançadas por apenas uma pessoa, o que contraria o procedimento adequado de avaliação.

“A responsável pelo estágio não estava em condições de avaliar correctamente, uma vez que esteve ausente durante grande parte do período e, portanto, não acompanhou o nosso desempenho”, explicou um dos estudantes.

Outro ponto de preocupação levantado pelos estudantes é o facto de serem supervisionados por colegas mais avançados no curso, uma prática que consideram inadequada, visto que estes ainda não possuem a qualificação necessária para exercer funções de supervisão.

“Não é apropriado que sejamos supervisionados por colegas que não têm o grau suficiente para essa responsabilidade”, afirmou a estudante.

As reclamações dos estudantes reflectem uma situação que, segundo eles, já se repete há vários anos, sem intervenção por parte da universidade.

Os mesmos acreditam que a questão é frequentemente abafada, alegadamente devido a ligações familiares entre a responsável pelo estágio e a reitora da instituição, levantando preocupações sobre a transparência e equidade no processo avaliativo.

Os alunos também criticam os custos elevados associados ao estágio, uma vez que são responsáveis por adquirir os materiais necessários e pagar pelos tratamentos dos pacientes, além de terem de encontrar os próprios pacientes para completar os requisitos práticos do estágio.

“Nós próprios temos de procurar pacientes e cobrir os custos dos procedimentos, o que acrescenta uma carga financeira significativa. Para além disso, somos responsáveis pelo marketing da clínica, o que torna o processo ainda mais difícil”, comentou a estudante.

As consequências da reprovação afectam directamente a continuidade dos estudos para muitos alunos, particularmente aqueles que dependem de bolsas de estudo.

“Com esta reprovação, corro o risco de perder a minha bolsa, o que pode impedir a continuidade dos meus estudos, já que a minha família não tem condições de pagar as propinas”, desabafou uma aluna bolseira.

Os estudantes apelam à direcção da universidade e às autoridades competentes para uma intervenção urgente e a correcção das irregularidades denunciadas, a fim de garantir transparência e equidade no processo de avaliação dos estágios supervisionados.

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