
Estudantes do Instituto Superior Politécnico de Ndalatando (ISPNd) manifestam crescente insatisfação devido ao alegado favorecimento académico a três colegas seus, todos funcionários do Governo Provincial do Cuanza-Norte.
Os estudantes em causa são: Xavier Colonial, Domingos Macuete e outro conhecido apenas por Aido. Segundo diversas fontes do Imparcial Press dentro da instituição, os três estariam a ser aprovados nas disciplinas sem atingirem as notas mínimas exigidas, contrariando os critérios académicos regulares.
De acordo com denúncias feitas por alunos, os referidos estudantes realizam provas em gabinetes administrativos e não nas salas de aula, onde decorrem normalmente os exames parcelares e semestrais. Esta situação tem provocado revolta entre os colegas, que se dizem sujeitos às exigências académicas comuns sem qualquer tipo de privilégio.
As alegações apontam para uma intervenção directa do governador da província, João Diogo Gaspar, que, segundo fontes internas desde jornal, contactaria directamente o vice-presidente para a área académica da instituição, Lucas Cassinda, solicitando “flexibilidade” para com os três estudantes.
O argumento invocado seria o volume de trabalho no governo provincial, que alegadamente impede a frequência regular às aulas e avaliações.
Ainda segundo relatos, o vice-presidente académico transmite tais orientações aos docentes, instruindo-os a não reprovar os estudantes em causa, o que estaria a gerar mal-estar entre os professores, que veem comprometida a sua autonomia e integridade profissional.
O Imparcial Press sabe que, dos três funcionários mencionados, Xavier Colonial trabalha no gabinete do governador, Domingos Macuete exerce funções como chefe de departamento no Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do governo provincial, enquanto Aido permanece sem função especificada, facto que a nossa redação promete apurar em momento oportuno.
Docentes contactados sob anonimato manifestam preocupação com o impacto que estas práticas podem ter na credibilidade da instituição e na motivação dos demais estudantes.
A comunidade académica exige esclarecimentos e a tomada de medidas que garantam igualdade de tratamento, transparência e respeito pelos princípios que regem o ensino superior em Angola.