Europa muda de posição e maioria dos países reconhece oficialmente o estado da Palestina
Europa muda de posição e maioria dos países reconhece oficialmente o estado da Palestina
Jubrael Alshomali

Volvidos dois anos de conflito armado em Gaza, a causa palestiniana ganhou novo impulso diplomático. Na última segunda-feira (22), os estados europeus – França, Bélgica e Luxemburgo – anunciaram oficialmente, durante a Assembleia-Geral da ONU, o reconhecimento do Estado da Palestina, juntando-se a uma maioria crescente de países europeus.

Na quinta-feira, 25, na capital angolana, o embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da Palestina em Angola, Jubrael Alshomali, concedeu uma conferência de imprensa para abordar os avanços alcançados no seio das Nações Unidas.

De acordo com o diplomata, 160 países votaram a favor da Palestina, incluindo nações historicamente próximas de Israel, como França, Reino Unido, Canadá e Austrália. Para Alshomali, este apoio representa uma viragem histórica:

“(…) esses países, que antes se apresentavam como amigos de Israel, agora condenam a guerra de humilhação que o governo de ocupação israelita continua a travar contra o povo palestino. O mundo descobriu que Israel é um estado de apartheid e que a sua narrativa já não encontra aceitação internacional”, disse.

O embaixador explicou ainda que a União Europeia suspendeu projectos económicos com Israel e estuda novas medidas de sanção.

Ele sublinhou que o reconhecimento internacional é um passo fundamental para elevar a Palestina como Estado soberano e reforçar a defesa dos direitos do seu povo.

Apesar da vitória diplomática, Alshomali lembrou a tragédia humanitária em curso. A guerra não se limita à Faixa de Gaza, mas estende-se a outras regiões da Palestina, com um saldo de cerca de 170 mil vítimas entre mortos e feridos, sendo a maioria mulheres e crianças.

Actualmente, 151 países — cerca de 80% dos membros da ONU — já reconhecem oficialmente o Estado palestino. Além de Rússia, China, Índia, todos os países árabes, quase toda a África e América Latina, a lista passou a incluir também nações do G7 como Reino Unido e Canadá, e outros aliados ocidentais, como Portugal, Austrália e Mónaco.

Este reconhecimento, proclamado inicialmente em 1988 por líderes palestinos no exílio, ganha assim dimensão global em meio à devastação da Faixa de Gaza e à persistente ocupação da Cisjordânia.

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