Ex-agente da polícia angolana encontrado morto em Portugal em circunstâncias suspeitas
Ex-agente da polícia angolana encontrado morto em Portugal em circunstâncias suspeitas
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Um cidadão angolano, identificado por Pedro Jorge Mateus, ex-agente da Polícia Nacional, foi encontrado sem vida na última segunda-feira, 22 de Setembro, em sua residência, na cidade de Setúbal, Portugal.

O caso, que está a ser investigado pelas autoridades portuguesas, levanta suspeitas de envenenamento e reacende discussões sobre alegadas operações secretas ligadas a antigos esquadrões de morte em Angola.

Segundo o portal Repórter Angola, a vítima vivia em Portugal sob a identidade falsa de “Jorge Gomes” ou “Jojó”. Fontes próximas asseguram que Mateus teria deixado Angola após a queda do então ministro do Interior, Eugénio César Laborinho, de quem seria próximo.

Denúncias apontam que o ex-agente estaria envolvido em operações de “intercepção de drogas” e em missões atribuídas aos chamados “esquadrões de morte”, do Serviço de Investigação Criminal, facto que o teria colocado em rota de colisão com diversos interesses internos.

Conforme, Pedro Mateus, que já representou Angola em vários campeonatos de judó, havia recebido recentemente uma proposta de emprego numa empresa de segurança privada em Portugal e deveria assinar contrato no mesmo dia em que foi encontrado morto.

Fontes militares, sob anonimato, avançam ainda que a morte poderá ter resultado de uma operação atribuída a supostos espiões angolanos, liderados por um agente conhecido apenas por “100 Terra”.

Este último teria sido detido em França, no início de 2025, após uma tentativa de atentado contra o activista Wilson Papo Recto, mas foi libertado semanas depois, tendo seguido para Portugal.

Há também registos de um atentado falhado, em Março deste ano, contra o irmão de Mateus em Luanda. O homem foi atingido a tiro por elementos do Serviço de Investigação Criminal quando conduzia o carro habitualmente usado por “Jojó”, numa aparente confusão de identidade.

O corpo de Pedro Jorge Mateus permanece em Portugal, enquanto decorrem diligências legais e procedimentos fúnebres. A notícia da sua morte já gerou comoção entre a comunidade angolana no exterior e reforçou preocupações sobre a alegada actuação de redes de eliminação física de opositores e ex-agentes ligados a dossiês sensíveis do Ministério do Interior.

Até ao momento, nem as autoridades portuguesas nem as angolanas emitiram um comunicado oficial sobre as circunstâncias da morte.

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