Ex-militares da cooperativa Agosto 1974 exigem pagamento de oito meses de salários em atraso
Ex-militares da cooperativa Agosto 1974 exigem pagamento de oito meses de salários em atraso
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Mais de 1.500 membros da cooperativa Agosto 1974, ligada à Associação de Apoio aos Combatentes das Ex-FAPLA (ASCOFA), manifestaram-se em Luanda para exigir o pagamento de oito meses de salários em atraso, num montante global que ascende a 95,8 milhões de kwanzas.

Os ex-militares, na sua maioria idosos entre os 68 e 80 anos, afirmam estar a viver em condições de extrema dificuldade.

“Estamos a comer no lixo, os filhos deixaram de estudar e as nossas esposas já não dormem connosco por falta de sustento”, desabafou Pedro Neto, representante da cooperativa, durante a concentração realizada na quinta-feira (07), diante da sede da ASCOFA, no bairro Rangel.

Segundo os cooperativistas, a dívida remonta a serviços de limpeza e varredura realizados nos municípios da Maianga e do Cazenga, no período em que Joana Lina exercia o cargo de governadora de Luanda.

Desde então, dizem ter ficado sem qualquer remuneração, apesar das múltiplas reclamações apresentadas ao Governo Provincial de Luanda (GPL) e à empresa pública Elisal, entidade que anteriormente assegurava o financiamento da ASCOFA.

“Temos cartas dirigidas ao GPL e à Elisal. A empresa diz que também depende do Governo Provincial, como prova o ofício nº 489/SG.GPL/2023, de 15 de Junho de 2023. Mas até agora nada foi resolvido”, acrescentou Pedro Neto.

O desespero entre os associados tem crescido. Ventura João Pacheco, de 67 anos, relembrou que a situação já vem de direções anteriores da associação.

“No tempo do presidente José Eduardo dos Santos ainda havia algum apoio, hoje sentimos que somos tratados como lixo”.

As queixas não se limitam aos salários. O material de limpeza utilizado no período em que prestaram serviço encontra-se, segundo os associados, retido num armazém no bairro Boavista, sem utilização devido à falta de liquidação da dívida.

Júlia João Pinto, viúva de um antigo combatente e mãe de oito filhos, apelou diretamente ao Presidente da República. “Em 1974, os nossos maridos lutaram por este país, muitos morreram na guerra. Hoje, somos abandonados. Senhor Presidente João Lourenço, faça alguma coisa por nós”.

O presidente da ASCOFA, Caetano Marcolino, confirmou a dívida e revelou que chegou a reunir-se com o vice-governador para a Área Técnica, Manuel Gonçalves, que prometeu procurar uma solução. No entanto, considera insuficiente.

“Os nossos associados estão com fome e desesperados. O Governo não consegue arranjar 95 milhões para aqueles que ontem deram a vida pelo país?”, questionou.

Os ex-militares afirmam que não pretendem abandonar a luta e pedem uma intervenção direta do Presidente da República para resolver o impasse que, segundo eles, ameaça não só a sua sobrevivência, mas também a dignidade daqueles que um dia integraram as fileiras das FAPLA.

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