Ex-ministro dos Transportes sofre maus-tratos na cadeia e pede ajuda ao João Lourenço
Ex-ministro dos Transportes sofre maus-tratos na cadeia e pede ajuda ao João Lourenço
Recluso Tomás

O ex-ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, enviou – a partir da cadeia – duas cartas, em distintas ocasiões, ao Presidente da República, João Lourenço, a pedir uma “ajudinha” por causa das medidas rígidas que lhe foram aplicadas pela direcção do Hospital Prisão de São Paulo, em Luanda.

Segundo o portal Club-K, as autoridades deixaram de prestar assistência médica medicamentosa ao antigo governante que se encontra a cumprir uma pena de mais de sete anos de prisão, no âmbito do julgamento contra os antigos gestores do Conselho Nacional dos Carregadores (CNC).

Até o ano de 2018, Augusto Tomás e João Lourenço eram grandes amigos e compadres. O chefe do Executivo é padrinho de um dos netos do recluso Tomás. A amizade entre as duas famílias era ao ponto de se juntarem durante a quadra festiva.

De acordo com este portal, em Agosto de 2017, o então ministro dos Transportes terá usado meios do Estado (autocarros) para suportar a campanha eleitoral do amigo. Foi reconduzido no governo, mas seria aos 20 de Junho de 2018, que João Lourenço o afasta do Executivo, nomeando para o cargo dos Transportes, Ricardo de Abreu.

O recluso Augusto Tomás entregou a primeira missiva ao antigo secretário-geral do MPLA, Álvaro Manuel de Boavida Neto, enquanto a segunda enviou através de Mário Pinto de Andrade, actual secretário do BP do MPLA para a Reforma do Estado, Administração Pública e Autarquias.

Os supostos maus-tratos em que se queixa Augusto Tomás ao Presidente da República, são:

  • Passou a ser mantido numa cela fechada e escura e privado de banho de sol;
  • Ele via apenas os familiares por cinco minutos no momento em que lhe levavam alimentos;
  • A direcção do Hospital Prisão de São Paulo proibiu a entrada de máquina para que lhe pudessem cortar cabelo e a barba;
  • Era acordado de madrugada pelos efectivos dos serviços prisionais para fazer vistoria da cela;
  • Lhe foi negado o direito de apanhar a vacina de prevenção a Covid-19, depois de ser afectado em 2020 e
  • As autoridades suspenderam o tratamento de reabilitação pulmonar devido as sequelas da infeção do Covid-19.

Condenado a 14 anos de prisão em primeira instância, pena que foi depois reduzida pela metade em sede de recurso interposto pela defesa, o antigo ministro dos Transportes esteve entre Outubro de 2020 e meados do mês de Julho de 2021 em prisão domiciliária provisória, por razões de saúde (ficou com sequelas pulmonares após ter contraído Covid-19, em Setembro de 2020). E mais tarde este tribunal superior decidiu mandá-lo a cadeia para cumprir a pena na íntegra.

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