Ex-ministro e a esposa revelam à PGR que a rede de Joel Leonardo pediu-lhes 3 biliões de kwanzas
Ex-ministro e a esposa revelam à PGR que a rede de Joel Leonardo pediu-lhes 3 biliões de kwanzas
J.Leonardo

Os autos de um memorando da Direcção Nacional de Investigação e Acção Penal (DNIAP) da Procuradoria Geral da República (PGR), revela que a rede de “compra e venda de sentenças” ligada ao presidente do Tribunal Supremo, Joel Leonardo, tentou extorquir, no passado mês de Dezembro, cerca de 3 biliões de kwanzas ao antigo ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, em troca da liberdade.

Segundo o Club-K, os dados constam nos depoimentos que o casal da Silva (e seus dois guardas) prestou esta semana a DNIAP, cujo processo (n.º 048/23) esta sob a responsabilidade do procurador José Lino.

De acordo com a fonte primária, a rede de Joel Leonardo se deslocou a residência oficial de Augusto Tomás no dia 31 de Dezembro de 2022, dois dias depois de o mesmo ter saído do hospital prisão do São Paulo, alegando que eram portadores de uma mensagem de Joel Leonardo.

Os “mensageiros” que se faziam acompanhar de uma viatura de marca Lexus, cor preta, registada com a chapa de matricula: LD-23-02-GY, se deslocou até ao condomínio Atlântico (localizado no município de Talatona) onde vive o ex-ministro com a família, usando o portão reservado aos moradores.

Os seguranças do condomínio deixaram-nos passar visto que se faziam transportar de uma viatura com dístico diferenciado e que não pode ser interpelada. Os guardas julgaram que fossem moradores.

De acordo com a descrição, eram três elementos. Dois uniformizados e um terceiro trajado de fato azul escuro, camisa branca e óculos. O elemento a civil foi mais tarde identificado por Silvana António Manuel, 38 anos, membro da guarda e sobrinho de Joel Leonardo, a quem o tio confia para as missões de indecência judicial.

Diante dos guardas de Augusto Tomás, a porta de casa, o trio apresentou-se dizendo que queriam falar com Augusto da Silva Tomas e que traziam uma mensagem do presidente do Tribunal Supremo, Joel Leonardo.

Augusto Tomás, o principal visado, se encontrava na sala em companhia da esposa, quando o grupo chegou. Temendo pela sua segurança, Tomás preferiu não se expor e se recolheu numa das com partições da casa, assistindo tudo pela janela.

Delfina Cumandala, esposa do ex-ministro dos Transportes, mandou o guarda transmitir a mensagem [ao trio] de que Augusto Tomás e Joel Leonardo não eram amigos e que ambos nada tinham para conversar.

No seguimento de insistências, a esposa foi ter com o trio começando por indagar como teriam chegado a residência sem terem sido anunciados pelos seguranças da portaria do condomínio. Estes, por sua vez, revelaram que souberam do endereço da casa por parte de um elemento, Augusto Trindade, que é advogado e que no passado serviu como director de gabinete de Augusto Tomás, no Ministério dos Transportes.

No meio da abordagem, o trio reiterou que eram portadores de uma mensagem de Joel Leonardo. Fizeram saber que a soltura de Tomás era precária, porém, para a inversão da situação, o antigo ministro teria de pagar quantia de 3 biliões de kwanzas para a inversão do processo.

Os mensageiros, atrevidamente, deram o prazo de uma semana para se resolver o problema, ou seja, que se efectua-se o pagamento, caso contrário Augusto Tomás seria reconduzido a prisão.

Aterrorizado que estava em ouvir as declarações dos mensageiros de Joel Leonardo, sobretudo no possível regresso à cadeia, Augusto Tomás desabafou o assunto a um vizinho, membro do governo, e este, por sua vez, partilhou a informação com o Presidente da República.

Inicialmente, Augusto Tomás optou por omitir a extorsão que estava a sofrer por parte de elementos do gabinete do presidente do Tribunal Supremo, mais tarde ficou surpreendido com a informação de que a PGR recebeu instruções para abertura de um inquérito a volta da rede de extorsão de Joel Leonardo.

Há cerca de duas semanas, Joel Leonardo viu-se obrigado a interromper uma reunião do plenário dos juízes conselheiros, depois de ter recebido uma convocatória da Cidade Alta para abordagem do tema das praticas de extorsão, em troca de promessas de liberdade a certos réus.

Na abordagem, o magistrado foi confrontado com provas do envolvimento do seu “testa de ferro” e sobrinho Silviano Manuel. Das provas, constava fotografia da viatura e um vídeo do seu sobrinho a sair da viatura para tentar receber a máquina ou telefone da pessoa que lhe estava a filmar. Foi-lhe sugerido a abrir uma queixa.

No dia seguinte da convocatória, Joel Leonardo foi interceptado a orientar ao sobrinho para se retirar do país via terrestre, mas já era tarde. O sobrinho foi apanhado seria preso no dia 01 de Fevereiro na província de Benguela, quando se seguia por estrada para a vizinha Namíbia.

Ao tomar conhecimento da detenção do sobrinho, Joel Leonardo produziu as pressas um despacho 06/CSMJ/2023, alegando que tomou conhecimento do acto do sobrinho e que o suspendia das funções de integrante da sua escolta.

Silvano António Manuel é efectivo das Forças Armadas Angolanas e ostenta a patente de major. Passou a trabalhar com o seu tio Joel Leonardo no Tribunal Supremo, a convite deste. Antes exercia as funções de Chefe do Património do Conselho Superior da Magistratura Judicial, para mais tarde passar a integrar a equipa de segurança do líder do Tribunal Supremo.

Documentos em posse do Club-K, indicam que, alguns negócios privados de Joel Leonardo se encontram em nome deste major das FAA, como é o caso da empresa IMPORLAB – Prestação de Serviços, que presta serviços de limpeza a 39 estruturas controladas pelo Tribunal Supremo.

A IMPORLAB – Prestação de Serviços é controlada por Vanúr de Abreu Isaú Leonardo, filho do presidente do Tribunal Supremo.

Para além de Silvano Manuel, faz parte da rede de confiança de Joel Leonardo outros elementos ligados a sua família que, o mesmo colocou como colaboradores do Tribunal Supremo para “expedientes” de proveito pessoais. Os outros elementos são: Isidro Coutinho (ex-assessor para a Área do Cofre dos Tribunais) e Carlos Salumbongo (advogado e assessor de Joel no Conselho Superior da Magistratura Judicial).

De todos eles, Isidro Coutinho é quem domina segredos comprometedores de Joel Leonardo. Já Carlos Salumbongo, é o homem do esquema de compra e venda de sentenças. Diz-se que Joel Leonardo não toma decisão sem antes consultar este primo que com ele trabalha desde o Tribunal Militar.

Com/Club-K

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