Ex-SG do MPLA diz que proposta de destituição de João Lourenço é “muito interessante”
Ex-SG do MPLA diz que proposta de destituição de João Lourenço é “muito interessante"
Moco e JL

O secretário-geral do MPLA, Marcolino Moco, garantiu hoje, sexta-feira, 21, que a iniciativa de destituição do Presidente de Angola manifestada pela UNITA é uma iniciativa muito interessante. “Em termos políticos, não há dúvidas que é uma iniciativa muito interessante, pelo menos através desta atitude está a se a chamar a atenção a aspectos muito graves que se estão a passar no país por iniciativa do Presidente da República, João Lourenço”, afirmou.

Marcolino Moco – que também foi primeiro-ministro no reinado de José Eduardo dos Santos – salientou ainda que o seu comentário não visa defender se o Presidente deve ou não ser destituído do cargo, mas que a iniciativa legislativa da UNITA “vem a altura de, pelo menos, sacudir a sociedade nacional e internacional no sentido de alertar que o que se passa em Angola é muito grave”.

“O Presidente (da República) João Lourenço está a matar os mecanismos judiciais de forma acintosa, à luz do dia, toda a gente a ver”, alerta Marcolino Moco, salientando ainda que com os seus despachos o chefe de Estado está a criar “um grande monopólio económico”.

Para o ex-primeiro ministro, através dos despachos presidenciais, João Lourenço, reeleito em 2022 para um segundo mandato de mais cinco anos, “está a puxar a brasa para toda a sua sardinha, em termos económicos, sem olhar para as consequências”.

“Estou a me referir ao grande monopólio económico que ele está a criar, está a empobrecer o país e a congelar o sangue do país: a moeda não circula, a fome, a indigência, o desemprego aumenta”, acrescenta.

Marcolino Moco criticou também João Lourenço por “atirar-se” às empresas dos filhos do ex-Presidente José Eduardo dos Santos. “Há toda uma série de questões que, de forma geral, são levantados pelo esboço da acusação da UNITA que, pelo menos, dão a sensação de que afinal a oposição tem a noção e está a levantar a situação da gravidade das questões que se passam no país na pessoa do Presidente João Lourenço”, insistiu.

Questionado sobre se a iniciativa da UNITA tem condições para avançar, diante a maioria parlamentar do MPLA, Marcolino Moco referiu que mesmo que a iniciativa possa não resultar do ponto de vista legislativo, em termos políticos ela tem “um grande alcance”.

“Esse tipo de actos nem sempre tem o valor pelas consequências que possam ter, eu, por exemplo, sou jurista, mas não só formalista, olho o direito e a justiça não como um valor em si, mas como um meio”, explicou, argumentando que “não é preciso que as consequências desta acção venham a ser efectivas”.

Em relação à reação do MPLA, Marcolino Moco considerou que esta reflete o “mesmo comportamento destes (dirigentes) alegarem serem os inventores da democracia e fundadores da nação”.

“Já vimos a resposta agora do MPLA, que reflecte o mesmo comportamento, de que eles que são os inventores da democracia, eles são os fundadores da nação, um conceito completamente errado e que deve ser abandonado se queremos ter efectivamente um país para todos”, defendeu.

Marcolino Moco terminou acrescentando que “ninguém fundou a nação, este é um slogan político que não é de todo proibido de se dizer, mas não pode ser aceite como algo efectivo, ninguém criou a nação, ela criou-se ao longo da história”.

Marcolino Moco é político, advogado, escritor, poeta e docente universitário. Foi primeiro-ministro angolano de 2 de Dezembro de 1992 a 3 de Junho de 1996 e secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de 1996 a 2000.

com/Lusa

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