
Dois cidadãos foram executados na tarde de terça-feira, 20, no bairro Vila Flor, município de Viana, em Luanda, por supostos efectivos do Serviço de Investigação Criminal (SIC), conforme relatado por testemunhas ao Imparcial Press.
As vítimas, na imagem, identificadas por Viana João Armindo, mais conhecido por “Paizinho”, de 20 anos, e um amigo, apenas identificado como Job ou Djobera, foram mortas em circunstâncias que têm gerado forte indignação na comunidade local.
Segundo relatos colhidos pelo Imparcial Press, o incidente ocorreu por volta das 12 horas, quando os dois jovens estavam a beber maruvo debaixo de uma mangueira, próxima à paragem dos “Colchões”, na principal rua do bairro.
Testemunhas afirmam que o ambiente tranquilo foi interrompido com a chegada de quatro homens armados, que se aproximaram rapidamente dos inditosos.
Na tentativa de escapar, Viana João Armindo correu em direcção à casa de uma vizinha, mas foi alvejado por três tiros.
“Ele tentou fugir, mas foi atingido na coxa, depois na barriga e, finalmente, no pescoço, onde o tiro foi fatal”, relatou um residente, que pediu anonimato, ao Imparcial Press.
O corpo do jovem foi encontrado a cerca de 300 metros da sua residência.
Djobera, por sua vez, foi forçado a acompanhar os homens armados até uma cantina conhecida como “Provou e Gostou”, onde foi executado. De acordo com os populares, os supostos agentes chegaram ao local numa viatura Toyota Hilux, cor cinza, veículo este que, segundo relatos, é frequentemente visto na esquadra policial da Engevia.
Após as execuções, um Toyota Land Cruiser, branco, com insígnias do SIC/Luanda, foi visto a remover os corpos dos jovens, além de outros seis cadáveres, também com sinais de execução.
Moradores afirmam que esses corpos foram recolhidos de diferentes pontos do bairro, incluindo a praça da Mutamba e a zona da Dona Bela, momentos antes das mortes de Paizinho e Djobera.
Este trágico episódio eleva para 16 o número de jovens supostamente executados pelo SIC no município de Viana desde o ano passado, de acordo com informações obtidas pelo Imparcial Press junto a residentes locais.
A crescente onda de execuções extrajudiciais tem gerado medo e revolta entre os moradores, que clamam por uma intervenção urgente das autoridades para esclarecer os casos e pôr fim à violência.
Até ao momento, as autoridades ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso. Enquanto isso, o clima de tensão e indignação permanece, com a comunidade a exigir justiça e transparência no combate à delinquência.
Por: Manuel Marques