
O Estado-Maior General das Forças Armadas Cabindesas (FAC) acusa as Forças Armadas Angolanas (FAA) de terem morto, esta segunda-feira, sete civis durante uma alegada incursão armada em território da República Democrática do Congo, nas localidades de Kikuangu-Mbemba e Kimbanza-Mbemba.
Segundo um comunicado do Estado-Maior General das FAC, enviado à redação do Imparcial Press, o incidente ocorreu na sequência de confrontos armados de elevada intensidade entre forças cabindesas e angolanas, registados na zona fronteiriça de Khata-Chikuangu.
De acordo com o balanço provisório divulgado pelo Comando Operacional das FAC, os confrontos, iniciados por volta das 03h00, provocaram a morte de quatro militares cabindeses em cumprimento do dever. Do lado angolano, o comunicado refere a ocorrência de seis baixas mortais entre os efetivos das FAA.
Ainda segundo a mesma fonte, por volta das 04h20, forças angolanas terão ultrapassado a linha de fronteira internacional, efetuando uma incursão armada em território congolês, nomeadamente nas localidades de Kikuangu-Mbemba e Kimbanza-Mbemba. No decurso dessa operação, sete civis terão sido mortos na aldeia de Mbemba, setor de Lubolo, no território de Tshela.
O Estado-Maior General das FAC classificou os acontecimentos como de “extrema gravidade”, denunciando a morte de civis desarmados e a violação do território soberano de um Estado terceiro, factos que considera constituírem graves infrações ao Direito Internacional Humanitário e às normas que regem a condução das hostilidades entre forças armadas.
No mesmo comunicado, as FAC afirmam manter-se em estado de vigilância operacional reforçada, assegurando estar a adotar as medidas necessárias para a salvaguarda da integridade territorial e a proteção das populações sob a sua responsabilidade.
Por sua vez, a Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) apelou à comunidade internacional, às organizações regionais africanas e às instâncias competentes das Nações Unidas para uma condenação inequívoca dos acontecimentos, defendendo a realização de investigações independentes e a adoção de medidas urgentes destinadas a garantir a proteção efetiva das populações civis afetadas.
As Forças Armadas Cabindesas reiteraram, por fim, o seu compromisso com a defesa do povo cabindês, afirmando que as suas operações são conduzidas em estrita observância das normas e princípios do Direito Internacional Humanitário.