Faleceu Manuel Guedes dos Santos Lima
Faleceu Manuel Guedes dos Santos Lima
manuel lima

Faleceu ontem, quinta-feira, dia 19, no Hospital do Barreiro, aos 89 anos, em Portugal, o nacionalista angolano Manuel Guedes dos Santos Lima, uma das figuras mais importantes da luta pela independência de Angola e referência incontornável da literatura angolana.

Manuel Santos Lima nasceu a 28 de Janeiro de 1935, na cidade do Cuíto, província do Bié, em Angola. Foi um homem multifacetado: linguista, escritor, jornalista, advogado, político e ex-militar com uma trajectória marcada pelo compromisso com a independência nacional e pela cultura angolana.

O malogrado destacou-se como primeiro comandante do Exército Popular de Libertação de Angola (EPLA), o braço armado guerrilheiro do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), participando activamente na guerra de Independência, entre 1961 e 1963.

Contudo, por divergências com a liderança de Agostinho Neto, desligou-se do MPLA e dedicou-se às letras e à academia.

Após concluir a licenciatura, Santos Lima doutorou-se em Literatura Comparada na Universidade de Lausanne, na Suíça, entre 1963 e 1968. A sua tese centrou-se na obra do escritor angolano Castro Soromenho, seu amigo pessoal.

Figura de destaque no meio intelectual, Santos Lima participou em importantes eventos internacionais, como o 1.º Congresso Internacional dos Escritores e Artistas Negros, em Paris, em 1956, onde trabalhou com Léopold Sédar Senghor e Aimé Césaire na revista Présence Africaine.

Como escritor, deixou um legado valioso com obras que abordam temas como a luta pela independência e as injustiças sociais. Entre os seus principais trabalhos destacam-se:
Kissange (1961), poesia;
As Sementes da Liberdade (1965), romance;
As Lágrimas e o Vento (1975), romance;
A Pele do Diabo (1977), peça de teatro;
Os Anões e os Mendigos (1984), romance.

Manuel dos Santos Lima também teve uma vasta carreira académica. Lecionou no Canadá, onde ensinou literatura portuguesa, francesa e espanhola, e em universidades francesas, como Rennes e Nantes. Em Angola, foi reitor da Universidade Lusíada e continuou a sua contribuição para a educação e cultura do país.

Além do seu papel na literatura e na academia, Santos Lima esteve activo na política durante o período do pluripartidarismo, tendo encabeçado o Movimento de Unidade Democrática para a Reconstrução (MUDAR), uma força de oposição ao regime vigente.

A sua obra e vida reflectem o profundo compromisso com a justiça social, a cultura angolana e a liberdade. O seu desaparecimento representa uma perda inestimável para Angola e para as letras lusófonas.

Manuel Guedes dos Santos Lima deixa um legado de resistência, cultura e pensamento crítico que continuará a inspirar as futuras gerações.

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