Faleceu o diplomata Eduardo de Jesus Beny
Faleceu o diplomata Eduardo de Jesus Beny
eduardo beny

Faleceu nesta quinta-feira, em Luanda, o embaixador Eduardo de Jesus Beny, vítima de doença, aos 68 anos, na Clínica Sagrada Esperança.

Até ao momento da sua morte, o inditoso exercia as funções de assessor político e diplomático junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Diplomata de carreira, Beny deixa um legado notável ao serviço da política externa angolana e das relações internacionais da República de Angola.

Em nota de condolências, o ministro das Relações Exteriores, Téte António, manifestou “profunda dor e tristeza” pelo desaparecimento físico do diplomata, enaltecendo a sua dedicação à causa pública e à diplomacia nacional.

No Ministério das Relações Exteriores (MIREX), Beny desempenhou cargos de elevada responsabilidade, entre os quais o de secretário-geral.

Foi também director de gabinete do Primeiro-Ministro (2008–2010), do presidente da Assembleia Nacional, António Paulo Kassoma, (2010) e secretário-geral do Parlamento angolano (2010–2012), acumulando vasta experiência em funções de Estado.

Distinguido pelo seu pensamento estratégico e compromisso com a estabilidade nacional, Eduardo Beny teve papel relevante nos esforços de consolidação da paz em Angola, nomeadamente após a assinatura dos Acordos de Lusaka.

À época, liderou o Gabinete Técnico do órgão Coordenador do Processo de Paz, apoiando as iniciativas de reconciliação nacional.

No plano externo, integrou missões diplomáticas em Roma e Lisboa, sendo recordado pelo seu talento como negociador num período delicado das relações bilaterais com Portugal, caracterizado por forte contestação estudantil e pressão mediática.

Na CPLP, destacou-se como rosto e voz activa de Angola, com foco especial em iniciativas de cooperação com a Guiné-Bissau.

Além da diplomacia, Eduardo Beny foi autor de obras que se tornaram referências no campo das relações internacionais, como “A Paz e a Guerra nas Novas Relações Internacionais” (2004), “A Nova Geopolítica do Petróleo do Golfo Pérsico ao Golfo da Guiné” (2007) e “Contributo para uma Agenda Diplomática – Pacote Estratégico de Interesses Diplomáticos”.

Os seus livros continuam a ser utilizados como apoio bibliográfico em universidades de países como Brasil, Portugal, EUA e Reino Unido.

Eduardo Beny também cultivou a paixão pelo desporto, tendo sido médio-centro do Nacional de Benguela, do bairro São Filipe, e da equipa da TAAG, nos seus tempos de juventude.

O seu desaparecimento constitui uma perda significativa para a diplomacia angolana e para todos quantos com ele partilharam causas em defesa da paz, da soberania nacional e da projecção internacional de Angola.

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