
O Fundo de Fomento Habitacional (FFH) regista perdas anuais superiores a 100 milhões de kwanzas devido à desativação de 65 lojas na Centralidade do Mussungue, província da Lunda-Norte.
O estado avançado de degradação dos estabelecimentos comerciais, causado pela acumulação de águas paradas, acúmulo de resíduos sólidos e infiltrações nos edifícios da zona 6, compromete a actividade económica local e impede a rentabilização destes espaços.
Das mais de 100 lojas disponíveis, apenas cerca de 40 estão ocupadas, gerando receitas mensais que variam entre 150 e 200 mil kwanzas. No entanto, a falta de condições adequadas, aliada à degradação da infra-estrutura, tem dificultado a sua ocupação plena.
Problemas como infiltrações de água, falhas nos sistemas de canalização, electricidade e extinção de incêndios, além da vandalização de portas, janelas e casas de banho públicas, contribuem para o abandono dos espaços por parte dos empresários.
Segundo o técnico do Fundo de Fomento Habitacional, Adriano Manuel, algumas lojas já haviam sido ocupadas, mas foram posteriormente abandonadas devido às constantes inundações, que causavam prejuízos materiais e financeiros significativos aos comerciantes.
O próprio escritório principal do FFH na centralidade teve de ser desactivado, uma vez que a chuva recorrente comprometia os equipamentos e documentos essenciais ao funcionamento da instituição.
A administração municipal do Mussungue está ciente da situação e tem trabalhado em conjunto com o Fundo de Fomento Habitacional para reverter o actual cenário.
O administrador municipal, James Machado, revelou que está em desenvolvimento um programa de reordenamento do comércio, que visa não apenas melhorar o saneamento básico, especialmente na zona 6, mas também reduzir barreiras comerciais e reforçar a transparência nas transações económicas.
Neste sentido, a administração municipal já reuniu com agentes económicos e vendedores informais para discutir estratégias e regulamentações que promovam um ambiente comercial mais estruturado e eficiente.
Quanto à recuperação das lojas degradadas, Machado destacou que será necessário um esforço conjunto entre o FFH, a administração municipal e os empresários para viabilizar a sua reabilitação e plena utilização.
Inaugurada em 2017, a Centralidade do Mussungue, localizada no município homónimo, foi concebida numa primeira fase para abrigar 5.400 apartamentos de diferentes tipologias, desde T3 a T5+1, distribuídos em 95 edifícios. Desses, quatro possuem 18 pisos, 86 contam com cinco andares, e seis prédios chegam a nove andares.
Actualmente, a urbanização acolhe cerca de 30 mil moradores e dispõe de infra-estrutura social relevante, incluindo o Hospital Geral David Bernardino ‘Kamanga’, com 100 camas, uma escola de ensino primário e secundário, e um centro infantil com capacidade para 900 crianças.