Falta de salários força seguranças do CEFOPESCA a traçarem turnos próprios
Falta de salários força seguranças do CEFOPESCA a traçarem turnos próprios
cefopesca

Há três meses que os agentes de protecção física do Instituto Politécnico de Pesca não vêem a cor dos seus ordenados. Para abrirem tempo a outros afazeres rentáveis, planificaram turnos que contemplam sete dias de trabalho e outros sete de folga.

Um dos três agentes de segurança do Centro de Formação de Pesca (CEFOPESCA), no distrito do Ramiro, município de Belas, em Luanda, aí destacado de 2 a 9 de Maio, revelou que ele e os seus cinco colegas estão há três meses sem salários.

“O que mais nos chateia é que ninguém nos dá uma explicação convincente; nem a nossa chefia, muito menos a direcção da escola que asseguramos, que, para nós representa o Ministério das Pescas e Recursos Marinhos”, disse o segurança, tendo detalhado que o seu patrão alega que o ministério ainda não está a pagá-lo, enquanto a direcção da escola lhes diz que, a qualquer momento, vão ver os ordenados em falta.

Até terça-feira, 7, desta reportagem, os agentes de protecção não receberam os seus salários dos meses de Fevereiro, Março e Abril.

Segundo o entrevistado, quando verificaram a demora do vencimento do mês de Fevereiro, ele e os colegas acorreram, imediatamente, à direcção da sua empresa, denominada Zacarias Moxi, da qual tiveram informações que davam conta de que a demora era do ministério, que, até ao dia 10, não tinha cabimentado o dinheiro na conta do prestador de serviço.

“Só que todo mês acabou e não resolveram o problema do atraso, que se estendeu até agora. E, por causa disso, nós tivemos de sentar e decidir que o turno de três dias não favorecia a nossa actual situação”, contou o protector, tendo adiantado que as duas equipas de três seguranças cada, restantes da Z. I. Moxi, resolveram instituir um turno de sete dias de trabalho e igual número de dias de folga.

Eles justificaram a criação de um regime de trabalho com esse espaço de tempo com a possibilidade de poderem prestar outros tipos de serviço, fora do posto, a fim de conseguirem algum dinheiro que se reverta para sustentabilidade de certas necessidades diárias.

O interlocutor deste jornal contou que os seus quatro filhos já foram retirados da escola do ensino particular, onde estavam inscritos, por estarem a dever quatro meses de propinas.

“Eu até não tive coragem de ir lá mais pedir para os miúdos continuarem, primeiro, porque já tinha feito um pedido do género, que lhes permitiu realizar as provas finais do 2º trimestre; segundo, porque não tenho um horizonte temporal de quando é que os nossos salários em atraso serão pagos.

Nas mesmas condições estão os colegas do entrevistado, que já pensam em esforçarem-se para, no próximo ano lectivo, colocar os seus filhos numa escola estatal.

As privações de casa constituem outro problema dos seguranças do CEFOPESCA, que dizem ainda estarem a sobreviver com os poucos lucros que as suas esposas alcançam das vendas que fazem.

“Já nos assumimos como aqueles chefes de família que vão perder autoridade em casa, se a situação não melhorar e consentimos que só dá para fazer uma refeição, por dia, que nem sempre é completa.

in OPaís

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