
Cerca de oito pessoas morreram no Hospital Geral do Uíge, entre Janeiro e Maio deste ano, devido a complicações provocadas por cáries dentárias não tratadas atempadamente.
A informação foi avançada esta terça-feira pelo chefe da Secção de Estomatologia da unidade, Manuel Silvestre Miguel.
Segundo o responsável, os pacientes chegam ao hospital já em estado avançado da doença, dificultando as hipóteses de intervenção médica eficaz. A secção, que enfrenta limitações de pessoal, atende entre 50 a 60 utentes por dia, contando apenas com quatro técnicos.
No período homólogo de 2024, a unidade hospitalar havia registado seis óbitos associados ao mesmo problema, o que representa um agravamento da situação.
Para garantir uma resposta adequada à procura, Manuel Silvestre Miguel defende a necessidade de reforçar a equipa com, pelo menos, mais oito profissionais, elevando o total para 12 técnicos especializados.
Entre os casos mais complexos que chegam ao serviço de Estomatologia, destacam-se tumores malignos e fracturas maxilofaciais, que frequentemente exigem a transferência de doentes para hospitais de referência em Luanda, devido à ausência de um especialista em cirurgia maxilofacial no hospital do Uíge.
Com vista à prevenção, o responsável apelou à população para adoptar hábitos regulares de higiene oral, recomendando a escovagem dos dentes três vezes ao dia.
Nos primeiros cinco meses do ano, o Hospital Geral do Uíge registou um total de 5.857 atendimentos na área de Estomatologia, tornando-se num dos serviços mais solicitados da maior unidade sanitária da província.