
A família de Carlos Alberto de Andrade Leitão, fundador e presidente do Partido de Apoio Democrático e Progresso de Angola (PADEPA), admite suspeitar que o político possa ter sido vítima de envenenamento, contrariando a versão oficial que aponta para morte por doença, soube o Imparcial Press.
Segundo relatos divulgados por familiares, Carlos Leitão, de 56 anos, viveu durante anos sob alegada perseguição política, tendo inclusive escapado a uma tentativa de assassinato, quando a sua viatura foi alvo de disparos.
Na sequência desses episódios, o dirigente político terá passado algum tempo no Brasil, por razões de segurança.
As mesmas fontes referem que Carlos Leitão enfrentou igualmente conflitos internos no seio do partido que fundou, bem como problemas de ordem pessoal e familiar, num contexto descrito como de forte pressão psicológica.
A família sustenta que o político chegou a identificar pessoas próximas, incluindo a ex-esposa, envolvidas em acções contra si.
De acordo com estes testemunhos, Carlos Leitão terá decidido deslocar-se à Namíbia para acompanhamento médico, por suspeitar já ter sido alvo de envenenamento.
Foi naquele país que acabou encontrado morto num quarto de hotel, depois de vários dias sem contactos externos, ou seja, não era visto fora do quarto, situação que levantou suspeitas junto dos funcionários do estabelecimento.
A autópsia realizada pelas autoridades namibianas indicou a presença de álcool no sangue como factor associado à morte. Contudo, a família rejeita essa conclusão, alegando que Carlos Leitão não consumia bebidas alcoólicas.
A mãe do político, residente nos Estados Unidos da América, contestou formalmente os resultados do exame médico-legal.
Persistem igualmente dúvidas quanto ao acompanhamento do caso por parte das autoridades angolanas, nomeadamente no que diz respeito ao apoio consular no processo de apuramento das circunstâncias da morte e à eventual transladação do corpo.
Em Angola, foi comunicado que Carlos Leitão morreu no dia 10 de Fevereiro, na sua residência, no bairro Precol, município do Rangel, em Luanda, vítima de doença, versão que não convence a família e pessoas próximas.
Carlos Leitão fundou o PADEPA em 2005, procurando afirmar uma alternativa política num contexto dominado pelo MPLA e pela UNITA. O partido foi extinto após as eleições gerais de 2008, por decisão do Tribunal Constitucional de Angola, por não ter alcançado o mínimo legal de votos.
Após a dissolução do partido, Carlos Leitão afastou-se da vida política activa, mantendo um perfil discreto. A família defende agora a necessidade de esclarecimentos adicionais sobre as circunstâncias da sua morte, considerando que subsistem elementos que justificam uma investigação mais aprofundada.