
Face à notícia publicada pelo Imparcial Press na última sexta-feira, a família do finado José Van-Dúnem se recusa categoricamente acreditar que as duas cidadãs angolanas, identificadas por Vanda Antónica Paim Van-Dúnem e Ondina Teresa Van-Dúnem, sejam realmente filhas do seu ente querido.
Segundo uma fonte familiar contactada pelo Imparcial Press, o José Van-Dúnem que as duas mulheres se referem é, na verdade, Adriano José Van-Dúnem, mais conhecido por “Camacho” e “Zé Van-Dúnem”, nas lides militares.
Registado pelos seus pais por nome de Adriano Domingos Miguel da Silva, “Camacho” adotou o nome de Adriano José Van-Dúnem nos anos 60, em homenagem a sua avó paterna, Antónica dos Santos Van-Dúnem, quando aderiu à luta de libertação (ao lado do MPLA) que culminou com a independência nacional a 11 de Novembro de 1975, após a violação de os Acordos de Alvor, rubricados em Portugal pelos três movimentos (FNLA, MPLA e UNITA), em Janeiro de 1975.
Conforme os dados cedidos pela parte contestaria, Adriano José Van-Dúnem “Camacho” fez parte da 9.ª Brigada, na unidade militar “Os Dragões” que, na época, localizava-se, na rua dos quartéis, no mesmo recinto onde está sedeada hoje a Polícia de Intervenção Rápida (PIR).
A família de José Jacinto da Silva Vieira Dias Van-Dúnem acusa “Camacho” de ter participado na matança de mais de 80 mil angolanos, segundo os dados da Fundação 27 de Maio, dos apelidados “Fraccionistas”, em 1977, tendo inclusive salvo à vida do seu primo-irmão Pedro de Castro dos Santos Van-Dúnem (Loy).
Mas existe outra versão que diz que “Camacho” terá sido, de igual modo, uma das vítimas da chacina, após 27 de Maio, depois de ter sido capturado por Tino Pelinganga, ex-deputado do MPLA, na casa de Pedro de Castro dos Santos Van-Dúnem (Loy).
Está versão é apresentada por Luís dos Passos – que foi citado no livro “O Meu testemunho – a purga do 27 de Maio 1977 e as suas consequências trágicas” publicado, em 2009, pelo general José Fragoso, em Luanda, como assassino de Saidy Mingas. Até à morte [de José Fragoso, a 23 de Maio de 2021], o acusado nunca se pronunciou, ou seja, admitiu que era, de facto, o assassino de então ministro do governo de Agostinho Neto.
“O Camacho estava fora do quartel porque estava suspenso por não concordar com patente de capitão que lhe havia sido atribuída. Apareceu na 9.ª Brigada por volta das 11h00, sem saber de nada”, pode se ler na mensagem enviada a uma das senhoras.
“Ele tentou libertar alguns detidos. A tropa revoltou-se contra ele e este, por sua vez, se defendeu dizendo que não sabia de nada. Eu disse-lhe vai para casa”, acrescentou.
“Quando se dá a reviravolta, ele com receio foi a casa de Loy e aí o Tino Kabuato (Pelinganga), o Kekas, irmão do Ita de Sá, prendem-no e como era hábito foi fuzilado”, assegurou.
Luís dos Passos – que alega ter conhecido bem o Camacho – revela ainda que o Xietu terá avisado a Loy dizendo: “cuidado estão a vir a tua casa. Quem? A suprema força da DISA”, rematou.
O Imparcial Press traz o possível perfil de Adriano José Van-Dúnem (na foto) e as suas raízes genealógicas

Adriano José Van-Dúnem (Camacho), a nascença teve o nome de ADRIANO DOMINGOS MIGUEL DA SILVA. Era filho de: Domingos Miguel da Silva e de Antónica dos Santos Van-Dúnem.
Foi esposo de: Luzia de Sousa Paim, com quem teve duas filhas.
Luzia de Sousa Paim é filha de Bernardo de Sousa Paim e de Maria de Fátima Francisco, ambos, naturais do Dande/Caxito, província do Bengo.
As duas filhas do casal Camacho e Luzia, são: Vanda Antónica Van-Dúnem “Chinga”,
que nasceu aos 29 de Outubro de 1974, actualmente a residir em Portugal, e Ondina Teresa Van-Dúnem (da Cunha) “Chandinha”, que nasceu aos 09 de Junho de 1976, actualmente a residir na província do Huambo.
Zé Van-Dúnem (Camacho) é neto de António Manuel dos Santos Van-Dúnem, este que também é avô de Pedro de Castro dos Santos Van-Dúnem (Loy), António Farel dos Santos Van-Dúnem (general na reserva e ex-vice-governador da província do Bengo), Rosa Joaquina dos Santos Van-Dúnem “Carneiro”, mãe de Ochay Pedro Van-Dúnem Carneiro casado com Janaína Van-Dúnem Bastos, filha da Dra. Pulquéria Van-Dúnem Bastos), Evangelina de Almeida dos Santos Van-Dúnem de Carvalho (casada com o comandante, general e dmbaixador António José Condense de Carvalho “Tóka”, estes que são os pais de Makiesse de Carvalho – que tem uma filha e foi casada com António Van-Dúnem “Vando”, que é bisneto de Horácio Pereira dos Santos Van-Dúnem, este é o primogénito de Manoel Pereira dos Santos Van-Dúnem Jr., o avô dos doutores França Van-Dúnem, Ana Van-Dúnem, José V. D. Van-Dúnem, Geórgina Van-Dúnem, Pulquéria Van-Dúnem Bastos, etc.).
Pedro José Van-Dúnem, ex-ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, que tem como irmão mais velho: Castro José Van-Dúnem (pai de Pedro José Dias Van-Dúnem, médico e professor universitário), Cristina Dias Van-Dúnem (ex-administradora do BNA) e José Cabito Dias dos Santos.
Este último é o pai de Francisco Dias dos Santos “Kito”, o patrão da ArosFran, José Cabito Dias dos Santos, Anacleto Dias dos Santos e irmãos.
Todos estes filhos de António Manuel dos Santos Van-Dúnem, que nasceu mais ou menos em 1875, na região de Ganga Zuze, Catete, Icolo e Bengo.
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