Familiares de vítimas da chacina de 5 de Junho no Huambo exigem a responsabilização de “polícias assassinos”
Familiares de vítimas da chacina de 5 de Junho no Huambo exigem a responsabilização de "polícias assassinos"
parentes huambo

Mais de nove meses depois, os familiares de os cidadãos assassinados (a tiros) pelos efectivos do Comando Provincial da Polícia Nacional do Huambo, a dia 5 de Junho de 2023, durante uma manifestação pacífica organizados pelos taxistas e moto-taxistas contra a subida dos preços dos combustíveis, clamam por justiça.

A associação OMUNGA realizou na quarta-feira, 27, em Benguela, uma conferência de imprensa que teve como o epicentro a chacina praticado pelos efectivos da Polícia Nacional, na data acima citada, na província do Huambo, e que resultou na morte de nove pessoas e vários feridos, além detenções arbitrárias. Entre as vítimas mortais está uma criança de apenas 12 anos de idade.

Segundo as informações, os factos ocorreram dois dias antes (isto é, 03/06) da marcha pacífica reprimida barbaramente a tiros pela polícia nacional, sedenta de sangue humano.

Desde o sucedido, os familiares das vítimas nunca foram tidos nem achados pelas autoridades judiciais angolanas, mesmo depois da Polícia Nacional ter anunciado a abertura de um suposto inquérito para apurar as responsabilidades.

A decisão era fruto da pressão de partidos políticos opositores e de organizações da sociedade civil que exigiam, na altura, a responsabilização dos agentes da polícia envolvidos no massacre e indemnização às famílias das vítimas.

Jerónimo António, irmão de uma das vítimas, Luís Camuango (que foi baleado na região da face e teve a morte imediata), contou que se sente injustiçado pelo que aconteceu, uma vez que os autores dos disparos continuam em liberdade.

Por outra, o irmão do malogrado lamenta a falta de apoio do governo (através do Ministério do Interior), ou seja, a polícia só apareceu um dia após o enterro do seu irmão [Luís Camuango] entregando a família enlutada, um saco de arroz (de 25 kg), um saco de farinha de milho (de 50 kg), 15 kg de açúcar, um saco de farinha de trigo (de 50 kg), embalagens de água mineral (de 5 litros), uma caixa de óleo (12 litros), um saco de feijão (de 25 kg), quatro barras de sabão.

Um gesto que, para o Jerónimo António, não significa um acto de perdão nem tão-pouco o consolidar da justiça. “O que nós queremos neste momento é a justiça. Queremos que os autores apareçam e sejam responsabilizados”, finalizou.

Já o cidadão Manuel Adelino, que perdeu o seu filho de 19 anos (foi alvejado com uma bala no ombro esquerdo e morreu poucas horas depois), revela que agora não consegue fazer, uma vez que o seu rebento era responsável pela alimentação da família.

“O meu falecido filho é que nos ajudava. Eu não trabalho, vivo de biscate… até agora não sei o que irei fazer com a minha vida”, lamentou.

Quanto à morte do menor de 12 anos, que se chamava Cristiano, Henriques José conta que o seu neto foi baleado quando saia de casa para a escola. “Durante o trajecto o Cristiano foi alvejado com três tiros, dois atingiram a cabeça e um atingiu a coxa”, frisou, exigindo apenas a justiça.

Por sua vez, o director executivo da OMUNGA, João Malavindele, apresentou aos presentes o relatório sobre os acontecimentos, fruto dos contactos directos mantidos com os familiares das vítimas.

No documento, a OMUNGA garante que o número das vítimas mortais é superior, ou seja, houve no total 11 mortos (dois são agentes da polícia) e um ferido grave.

No relatório, a OMUNGA recomenda às instituições competentes no sentido de atender o clamor das famílias, salientando que “é do interesse de todos que se apure os factos que levaram a polícia fazer o uso excessivo da força, ao mesmo tempo, responsabilizar criminalmente os agentes envolvidos.”

João Malavindele avançou que já se deu entrada do processo ao tribunal, mas regista-se muitos entraves para seguir o seu percurso normal, ou seja, desconfia-se que o processo anda em “águas de bacalhau” por estar arrolado o comandante municipal da polícia nacional no Huambo.

“Apelamos à PGR que trate esta situação com maior imparcialidade, que não crie dificuldades para que este processo tenha pernas para andar”, rematou.

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