Filho do director do SIC alegadamente raptado em Luanda
Filho do director do SIC alegadamente raptado em Luanda
luciano SIC

Informações que circulam em círculos restritos da capital angolana apontam para um episódio de rapto ocorrido em Junho que envolveu o filho do director do Serviço de Investigação Criminal (SIC), Luciano Tânio Jorge Custódio Mateus da Silva, um menor de apenas 11 anos. Segundo o Club-K, o caso terá sido deliberadamente mantido em sigilo pelas autoridades.

O alegado sequestro ocorreu nas imediações da escola frequentada pelo menor, em Luanda. As informações disponíveis indicam que a criança foi libertada ilesa após um curto período de cativeiro, sem que os raptores tenham feito exigências públicas ou pedido resgate.

Embora os contornos do caso permaneçam pouco claros, interpretações generalizadas sugerem que o rapto terá sido uma tentativa de intimidação ou chantagem dirigida ao director do SIC, numa possível retaliação pelas reformas e investigações internas que tem vindo a implementar desde a sua nomeação em Outubro de 2024.

Desde que assumiu a liderança do SIC, Tânio da Silva tem promovido operações anticorrupção e a responsabilização de altos quadros da própria instituição, o que, segundo fontes não oficiais, terá provocado resistência interna e possíveis represálias.

O rapto do seu filho pode ter sido uma forma simbólica de demonstrar vulnerabilidade e enviar um aviso ao responsável máximo do serviço.

A alegada ocorrência teve também repercussões noutras instituições sensíveis do Estado. Conforme relatos, o director do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), José Coimbra Baptista Júnior, terá reforçado significativamente a sua segurança pessoal desde então, passando a usar colete à prova de bala e a transportar arma de fogo.

Coimbra Júnior, também nomeado em Outubro de 2024, tem igualmente conduzido operações anticorrupção no SME, nomeadamente a detenção de quadros com ligações ao antigo ministro Eugénio César Laborinho e a rejeição de novas integrações, medidas que lhe têm valido críticas internas e acusações de postura autoritária.

Ambos os dirigentes têm ligações ao aparelho de segurança do Estado.

  • Luciano Tânio da Silva foi, no passado, chefe-adjunto do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (SINSE) durante a liderança de Mariana Lourdes Lisboa, em 2006. Mais tarde, desempenhou funções de docente universitário, mantendo a categoria de assessor no sector da inteligência.

  • José Coimbra Baptista Júnior, com formação em economia, teve passagem pelas extintas FAPLA, destacando-se no Serviço de Inteligência Externa (SIE) sob a gestão do general Fernando Miala. Posteriormente, integrou o SINSE, onde chegou a número dois da área administrativa.

Apesar da gravidade do alegado rapto, não houve, até à data, qualquer pronunciamento público oficial por parte das autoridades, o que reforça a percepção de que o caso está a ser tratado com discrição nos círculos de segurança.

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