FNLA e UNITA ignoradas – Lourenço Bento
FNLA e UNITA ignoradas - Lourenço Bento
Lourenco bento

Achei de uma desonestidade intelectual tamanho omissão do Presidente da República, João Lourenço, ao não fazer menção aos movimentos de libertação, como a FNLA e a UNITA, que ao lado do MPLA, citado em seu discurso na cerimônia que marcou o 50º aniversário do 25 de Abril de 1974, também lutaram contra o colonialismo em Angola.

As lutas armadas pela nossa Independência na Guiné-Bissau, em Angola e em Moçambique, atingiram um estágio tão avançado, especialmente após o fracasso da operação Mar Verde, o assassinato de Amílcar Cabral e a proclamação da Independência pelo PAIGC nas colinas de Madina de Boé em 1973 na Guiné-Bissau, o fiasco da operação Nó Górdio e as pesadas baixas infringidas pela FRELIMO e pelo MPLA às tropas coloniais portuguesas em Moçambique e no Norte e Leste de Angola, que precipitaram os acontecimentos que levaram ao levantamento e golpe militar do 25 de Abril de 1974 em Portugal“, disse o Presidente João Lourenço em determinado momento.

É exactamente aí, em minha opinião, que o Presidente perdeu a oportunidade de demonstrar sua erudição histórica e seu compromisso com a verdade factual, além de sua postura conciliadora.

Na realidade, os portugueses reconhecem a FNLA e a UNITA como movimentos de libertação cujas acções no Norte e no Leste, respectivamente, influenciaram a tomada de consciência das Forças Armadas Portuguesas sobre a guerra travada na então colônia portuguesa, cujas consequências abalaram a estrutura colonial e a moral combativa das forças salazaristas.

Se o Presidente João Lourenço pretendia seguir a lógica da exclusão que marcou os acontecimentos após o 25 de Abril de 1974 e todo o processo que culminou com a proclamação da Independência Nacional, ao ignorar pura e simplesmente seus actuais parceiros no processo de reconciliação nacional, perante os portugueses e outros, que de uma forma ou de outra conhecem a história de Angola, transmitiu aos seus interlocutores uma mensagem de pouco comprometimento com o processo de reconciliação nacional e com o aprofundamento do Estado Democrático em Angola.

Faltou-lhe altura e grandeza.

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