Forças de segurança realizam diligências para localizar general Paka
Forças de segurança realizam diligências para localizar general Paka
JL e Pakas

Forças de segurança angolanas deslocaram-se, nos dias 23 e 30 de Dezembro, a residências associadas ao general na reforma Manuel Paulo Mendes de Carvalho, conhecido por “Paka”, para o localizar, no âmbito de diligências cujo objectivo oficial ainda não foi publicamente esclarecido.

Até ao momento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) não confirmou oficialmente a existência de qualquer processo ou notificação formal.

Segundo fontes próximas da família, uma viatura das Forças Armadas Angolanas (FAA) e outra da Polícia Nacional deslocaram-se, no passado dia 23 de Dezembro, por volta das 12 horas, à residência do general, sem o encontrarem no local.

Esta terça-feira, dia 30, as mesmas forças terão efectuado uma ronda junto da casa de um dos filhos do general, Cláudio de Carvalho, localizada na Centralidade do Kilamba, em Luanda.

As fontes do Imparcial Press indicam que as diligências poderão estar relacionadas com uma notificação telefónica da PGR, que pretenderá ouvir o general para prestar esclarecimentos sobre declarações públicas recentemente proferidas, nas redes sociais, consideradas por responsáveis oficiais como ofensivas ao Presidente da República e ao Governo.

De acordo com observadores, as declarações do general reformado têm suscitado desconforto em círculos governamentais, embora não tenham sido tornados públicos elementos jurídicos que permitam enquadrá-las, de forma clara, num tipo legal criminalmente punível.

Nos últimos anos, o general Paka tem-se afirmado como uma das vozes críticas da governação do Presidente João Lourenço, assumindo publicamente posições políticas divergentes das do partido no poder. Em várias ocasiões, manifestou apoio à oposição, em particular à UNITA, chegando a apelar ao voto nessa formação política.

Já na condição de reformado, o general terá aprofundado o seu afastamento do regime, com intervenções públicas que têm sido amplamente divulgadas nas redes sociais e em alguns portais de informação.

Recentemente, circularam informações segundo as quais o general teria sido chamado pela Procuradoria-Geral da República para prestar esclarecimentos, mas não terá comparecido, informação que carece ainda de confirmação oficial.

Até ao momento, não há pronunciamento público das autoridades judiciais ou de segurança sobre o caso, nem indicação formal de que o general se encontre na condição de arguido ou alvo de mandato judicial.

Filho do escritor, nacionalista e histórico dirigente do MPLA, Uanhenga Xitu (Agostinho André Mendes de Carvalho), o general Paka cresceu num contexto fortemente marcado pela política e pela luta de libertação nacional.

Recebeu formação militar e política na antiga União Soviética, no âmbito dos programas de formação de quadros do MPLA durante a Guerra Fria.

Especializado em economia política, exerceu funções de comissário político nas Forças Armadas Angolanas, tendo alcançado a patente de general antes de passar à reforma.

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