
Os formadores do Programa de Empoderamento Feminino e Inclusão Técnica e Tecnológica (PEFITT), implementado pelo Centro Integrado de Formação Tecnológica (CINFOTEC) de Talatona, em Luanda, denunciaram, esta semana, que estão há 11 meses sem receber os salários relativos às formações que ministraram.
Segundo os formadores, diversas tentativas de contacto com a direção do CINFOTEC Talatona têm sido infrutíferas. A directora da instituição, Jéssica Pereira, e a coordenadora do projeto, Maria Sebastião, não responderam às múltiplas cartas enviadas solicitando esclarecimentos sobre a situação.
De acordo com os relatos, um dos episódios mais recentes envolveu uma tentativa de diálogo com o chefe das finanças, identificado apenas como Arlindo, que, de forma arrogante, terá expulsado os formadores da sala, atitude considerada pelos mesmos como um abuso de poder.
Os formadores apelam ao Instituto Nacional do Emprego e Formação Profissional (INEFOP), liderado por Manuel Mbangue, entidade que patrocina o programa PEFITT, para a realização de um inquérito rigoroso no CINFOTEC Talatona, com o objetivo de apurar o destino dos fundos alocados para o pagamento dos formadores.
“Queremos uma explicação clara sobre onde foi parar o dinheiro destinado ao pagamento dos nossos salários. Alguém está a se aproveitar deste valor e terá de prestar contas à justiça”, afirmaram os formadores em comunicado.
A situação, que se arrasta desde Janeiro deste ano, gerou revolta entre os profissionais, que ameaçam levar o caso à esfera pública. Os formadores anunciaram que, na próxima segunda-feira, participarão no programa televisivo “Fala Angola”, da Tv Zimbo, com o intuito de expor a situação e solicitar a intervenção do Presidente da República.
“Nós não vamos parar enquanto não tivermos respostas concretas e os nossos direitos forem garantidos. Exigimos ser pagos pelo trabalho que realizamos”, reforçaram os formadores.
A denúncia lança um alerta sobre a transparência na gestão dos fundos públicos e o tratamento dado aos profissionais envolvidos em projetos sociais, especialmente aqueles voltados para o empoderamento feminino.
O Imparcial Press tentou contactar a direcção do CINFOTEC Talatona para mais esclarecimento público sobre as alegações, mas não teve sucesso.