Funcionários da Empresa Fabril de Calçados e Uniformes estão há três meses sem salários
Funcionários da Empresa Fabril de Calçados e Uniformes estão há três meses sem salários
EFCU

Funcionários da Empresa Fabril de Calçados e Uniformes – Empresa Pública (EFCU-EP), tutelada pelo Ministério da Defesa, Antigos Combatentes e Veteranos de Guerra, afirmam estar há três meses sem receber salários e sem o pagamento do 13.º mês, situação que, segundo relatos, agravou de forma significativa as condições de vida de centenas de famílias.

Em declarações ao Imparcial Press, os lesados revelaram que os atrasos salariais se verificam desde Novembro do ano passado, tendo resultado num “final de ano triste” para os trabalhadores, muitos dos quais dependem exclusivamente daquele rendimento para sustentar os seus agregados familiares.

“Não é a primeira vez que isto acontece. No ano passado ficámos oito meses sem salários e só depois de uma manifestação em frente ao ministério é que a situação foi resolvida”, disse um trabalhador.

Segundo as mesmas fontes, na ocasião, responsáveis do ministério terão pedido 48 horas para regularizar os pagamentos, o que acabou por acontecer, mas os colegas que lideraram o protesto foram posteriormente alvo de processos disciplinares, alegadamente como forma de intimidação.

“Isso criou um clima de medo. Agora estamos há três meses sem salários e sem o décimo terceiro, mas ninguém se atreve a falar ou a protestar por receio de represálias”, acrescentou.

Mais de mil trabalhadores afectados

A EFCU-EP emprega mais de mil trabalhadores, dos quais cerca de 80% são mulheres, segundo dados avançados por funcionários. A fábrica está localizada no município do Cazenga, em Luanda, nas antigas instalações da Textang 2.

Os trabalhadores dizem enfrentar dificuldades financeiras extremas, incluindo problemas para assegurar alimentação, transporte e pagamento de rendas de casa, numa altura em que o custo de vida continua elevado.

“A maior parte das colegas são mães solteiras ou chefes de família. Há pessoas que já não conseguem pagar renda nem pôr comida na mesa”, afirmou outra funcionária.

A direcção da empresa, liderada pelo presidente do Conselho de Administração, Artur Augusto Luís Tombias, tem sido alvo de críticas internas por alegada má gestão e falta de respeito pelos trabalhadores, sobretudo pelas mulheres, que constituem a maioria da força laboral.

Os funcionários queixam-se da ausência de comunicação clara por parte da administração sobre as razões dos atrasos e sobre quando os salários em falta e o 13.º mês serão pagos.

“Não há explicações, não há prazos. Trabalhamos, produzimos, mas no fim do mês não recebemos nada”, lamentou um trabalhador.

Os trabalhadores apelam à intervenção urgente das autoridades competentes para a regularização imediata dos salários em atraso e para garantir que situações semelhantes não voltem a repetir-se.

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