
Os funcionários do Banco de Fomento Angola (BFA) manifestaram preocupações significativas relativamente às condições de trabalho e aos níveis salariais da instituição, considerando a situação “inadmissível” para um banco que se destaca como líder em lucros no setor bancário angolano.
De acordo com várias denúncias recebidas após reclamações internas, os colaboradores enfrentam um ambiente de trabalho com condições precárias e remunerações consideravelmente inferiores às oferecidas por outros bancos de grande porte, como o Banco Angolano de Investimentos (BAI), Standard Bank e Banco Internacional de Crédito (BIC).
“Enquanto nos dedicamos a manter o BFA na liderança, os benefícios parecem estar reservados para uma minoria,” afirma um funcionário anónimo, ilustrando a discrepância entre o sucesso financeiro do banco e a realidade vivida pelos seus trabalhadores.
As críticas também se dirigem à gestão do banco. Os funcionários acusam a administração de prometer aumentos salariais que não se concretizaram e de fomentar uma cultura de ameaças e intimidações. A recente nomeação do novo Presidente do Conselho Executivo (PCE), o primeiro angolano a ocupar o cargo, não resultou nas melhorias esperadas.
Outro ponto de descontentamento é a disparidade salarial entre o BFA e os seus concorrentes. Relatos indicam que os salários no BFA podem ser até 50% inferiores aos oferecidos por outras instituições de igual porte, o que tem causado um profundo descontentamento entre os colaboradores.
“É inaceitável que um banco com a nossa dimensão e lucros elevados trate os seus funcionários desta forma,” afirma uma fonte interna, refletindo a frustração generalizada.
Além das questões salariais, surgem também acusações de discriminação racial, com funcionários a denunciar a falta de representatividade em cargos de liderança e possíveis práticas discriminatórias dentro da instituição.
Apesar da recente conquista de um seguro de saúde para os trabalhadores – uma reivindicação antiga -, a sensação predominante é de que são necessárias melhorias substanciais nas condições de trabalho e na remuneração.
Até ao momento, a administração do BFA não comentou oficialmente as reclamações feitas pelos funcionários.