
O Instituto de Investigação Veterinária de Angola (IIVA) mergulha numa crise sem precedentes. Funcionários denunciaram esta semana a existência de salários em atraso há cerca de três anos, numa situação dramática que ameaça a sobrevivência de centenas de famílias.
As queixas expõem um quadro alarmante: crianças fora da escola, famílias em risco de despejo, trabalhadores em estado de exaustão física e emocional, e uma completa ausência de respostas por parte da administração.
Segundo relatos recebidos pelo Imparcial Press, os funcionários vivem em condições descritas como “desumanas”. Guardas sem alimentação adequada, trabalhadores forçados a deslocarem-se a pé para o trabalho e perseguições internas a quem ousa reclamar são apenas alguns dos horrores diários relatados.
A revolta tem nome: Alegria Agostinho Francisco, director-geral adjunto para a Área Administrativa, apontado pelos funcionários como o principal responsável pela má gestão que assolou a instituição.
Ligado ao partido MPLA, Alegria Agostinho Francisco é acusado de desviar património público, bloquear processos internos e suprimir denúncias externas, incluindo um processo arquivado na Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE).
Desde Julho de 2020, período em que assumiu funções, até hoje, não houve qualquer iniciativa séria para resolver o drama dos salários em atraso, segundo os denunciantes.
O pior é que, em Julho de 2023, sem qualquer aviso, os funcionários foram removidos do sistema de segurança social, deixando-os desamparados e vulneráveis.
Apesar da recente nomeação de novos dirigentes para o IIVA e para o Ministério da Agricultura e Florestas, a presença contínua de Alegria Agostinho Francisco nas estruturas de poder mantém a incerteza quanto à resolução do problema.
Desesperados, os trabalhadores exigem agora o pagamento imediato dos salários em atraso, o regresso à segurança social e o fim das alegadas perseguições.
A crise no IIVA já ultrapassa os corredores do instituto, colocando em risco vidas humanas, a dignidade dos trabalhadores e manchando ainda mais a imagem das instituições públicas.