
O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) e o empresário internacional Haim Taib anunciaram na quarta-feira, 14, a criação da Plataforma de Desenvolvimento de Impacto do Corredor do Lobito (LCID), uma iniciativa privada de investimento no valor de mil milhões de dólares destinada a promover o desenvolvimento económico e social ao longo do Corredor do Lobito, que liga Angola, a República Democrática do Congo e a Zâmbia.
Com um compromisso inicial de 100 milhões de dólares, subscritos em partes iguais pelo FSDEA e por Haim Taib — fundador dos grupos Mitrelli e Menomadin —, a plataforma visa canalizar investimentos para sectores estratégicos como agricultura, infra-estruturas, saúde, indústria ligeira, educação e inclusão digital, gerando valor económico e promovendo a integração regional.
A LCID surge como uma estrutura de investimento independente, com um comité próprio responsável pela avaliação e seleção de projetos por via de concursos públicos.
Cada iniciativa será estruturada através de Sociedades de Propósito Específico (SPE), permitindo que empresas nacionais e internacionais participem diretamente nos investimentos.
“O Corredor do Lobito não é apenas uma linha férrea, é uma nova artéria económica para o continente africano,” afirmou Haim Taib, salientando que “esta é uma oportunidade para um desenvolvimento liderado por africanos, com base em parcerias globais, confiança, inovação e prosperidade partilhada.”
Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração do FSDEA, Armando Manuel, destacou o carácter estratégico da parceria. “Esta plataforma reflecte um compromisso com capital inteligente e colaborações de longo prazo. É um modelo liderado por África com relevância global. Estamos apenas a começar.”
A plataforma já iniciou colaboração com a National Pension Scheme Authority (NAPSA), fundo de pensões público da Zâmbia, na identificação de projectos transformadores ao longo do corredor.
Os investimentos alinham-se com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e com a agenda africana de industrialização e integração económica.
O Corredor do Lobito, que se estende desde o porto do Lobito até à região mineira do Cinturão de Cobre na Zâmbia, ganha crescente importância estratégica num contexto global de procura por minerais críticos essenciais à transição energética e digital, como veículos elétricos, semicondutores e energias renováveis.
Perspetiva-se que, no futuro, o corredor ligue os oceanos Atlântico e Índico, atravessando o continente africano de oeste a leste, consolidando-se como uma via logística alternativa e segura no cenário geopolítico global.