
O diretor artístico do Festival Regional de Dança e Música Tradicional Ngeya, Gabriel Tchiema, afirmou esta quinta-feira que a organização trabalha, em conjunto com os patrocinadores, no sentido de internacionalizar o evento.
Em declarações à imprensa, o responsável revelou que está a ser concebido um novo formato para que, nas próximas edições, possam participar grupos culturais de países como a República Democrática do Congo, Zâmbia, Zimbábue, Botsuana e Namíbia.
“O Ngeya foi criado para promover e divulgar a cultura da região, fomentar o intercâmbio cultural e estimular a troca de experiências. A nossa ambição é internacionalizar o festival para que outras culturas conheçam a nossa e, ao mesmo tempo, fortaleçamos os laços artísticos no continente”, sublinhou.
Gabriel Tchiema acrescentou que a internacionalização poderá, no futuro, atrair investigadores científicos e culturais, sobretudo africanos, interessados em realizar estudos mais profundos sobre a tradição Tchokwe, contribuindo para a sua eternização em livros, artigos e conteúdos audiovisuais.
A quarta edição do Festival Ngeya terá lugar de 22 a 23 deste mês, reunindo 13 grupos, sendo 11 de dança e dois instrumentais, representando três das quatro províncias do leste do país (Lunda-Norte, Lunda-Sul e Moxico).
O evento contará ainda com a participação especial do grupo Mayeye Itchiacu Tchacu, da província de Cabinda.
O primeiro dia será marcado por uma palestra sobre “Os desafios da juventude na preservação da cultura na era digital” e “Sona na sua comunicação sistemática e educativa”, conduzidas pelo bispo da Diocese do Dundo, Dom Estanislau Chindecasse, e pelo diretor local da Cultura, José Fernando.
Paralelamente, terá lugar uma feira gastronómica, uma exposição de obras de arte e um pré-festival com a atuação de músicos locais da Lunda-Norte. O segundo e último dia será dedicado ao desfile dos grupos participantes, a homenagens e a discursos institucionais.
Sem carácter competitivo, o Festival Ngeya procura valorizar os ritmos tradicionais e folclóricos do Leste angolano, promover o resgate cultural, incentivar o diálogo intercultural e fortalecer a construção de legados para a promoção da multiculturalidade da região.
A última edição, realizada em Junho de 2024, na cidade de Saurimo (província da Lunda-Sul) e patrocinada pela Sociedade Mineira de Catoca, contou com a participação de mais de 100 artistas do leste.