
Iniciado em 1979, o Girabola – 2025/2026 está prestes a começar, com velhos “inquilinos” e estreantes, cada uma delas diferente. Sem uns são crónicos candidatos assumidos ao título, outros vão lutar, claramente, para a manutenção na fina flor do futebol nacional. Luanda, com 6 equipas, e Benguela com 3, são as províncias com mais representatividade
O Girabola, maior montra do futebol de Angola, arranca na próxima sexta-feira, 19 de Setembro, para fazer disputar a sua 46ª edição, com apenas uma equipa que esteve no início – o 1º de Agosto.
De lá para cá, muitos entraram e saíram do campeonato, sendo o Petro de Luanda a segunda mais antiga em prova, e o mais sério candidato à conquista do troféu.
Embora os números não sejam do domínio público, o Petro de Luanda é a equipa que fez maior investimento, com a contratação do técnico espanhol, Franc Artiga, proveniente das escolas do Futebol Clube Barcelona.
Dentre os atletas, de várias nacionalidades que vão vestir a camisola do tricolor angolano, realce para Jorge Pereira, português que vai reforçar o meio campo, bem como o brasileiro Tiago Reis, de 25 anos, que vai preencher a vaga deixada pelo seu compatriota, curiosamente também se chama Tiago “Azulão”, que foi, durante várias épocas, o abono de família da equipa do Catetão.
Da equipa técnica, baliza, defesa, meio campo e ataque, a Direcção liderada por Tomás Faria Mangumbala reforçou-se olhando não só no Girabola, mas também na Taça de Angola, e na Liga dos Clubes Campeões de Futebol em África, aonde já é um habitué, mas que na última edição não logrou chegar a fase de grupos, perdendo a eliminatória em casa, para os congoleses democrata do As Maniema, depois de derrotados por 2-1, em Kinshasa e empate sem golos em Luanda. O que nos diz esse Petro com investimentos altos? Haver vamos!
Segundo classificado do último Girabola, o Wiliete Sport Clube de Benguela é já uma certeza do futebol nacional. E os investimentos refletem os resultados em campo.
A equipa, perdeu o seu técnico, Zeca Amaral, que conhece muito bem o futebol nacional, vai disputar uma vaga na Liga dos Clubes Campeões de África, cujo adversário de estreia é o “gigante” Young Africans da Tanzânia, um velho inquilino das competições da CAF.
Para atacar essa competição muito exigente, o presidente de Direcção daquele clube, Wilson Faria, foi buscar um novo técnico em Portugal que, segundo a direcção, pelo seu perfil está à altura de dar resposta às exigências da agremiação.
Além de atacar a Liga, o Wiliete vai disputar o Girabola, onde entra como um sério candidato, se tivermos em linha de conta os resultados das edições anteriores e os investimentos com a contratação jogadores, técnicos, marketing e até mesmo com preparação da época, que mereceu um estágio em Portugal.
Equipa com mais campeonatos disputados, o 1º de Agosto entra para o presente Girabola ainda com orgulho ferido, por não ter feito mais nas edições anteriores, por culpa da situação financeira que vive.
Os militares do Rio Seco têm contado com a prata da casa, mas nem por isso deixam a desejar. Enquanto equipa do top-5 do futebol nacional, apesar das dificuldades não deixou os seus créditos e mãos alheias. Ficou em terceiro lugar com um amargo de boca, ficando claro que com pouco pode se fazer muito.
Nos confrontos com os seus adversários directos, concretamente o Petro de Luanda, venceu e galvanizou a equipa. Petrolíferos de abrirem o champanhe da consagração do título na 28 jornada do Gira-2024/2025, alimentando o ego dos adeptos “agostinos”.
Por seu turno, o Sagrada Esperança da Lunda Norte é outro dos inquilinos que compete por quem se espera muito. E não é em vão. Os Lundas do Norte já foram campeões em duas ocasiões, têm andamento nas Afrotaças e condições logísticas para disputar o campeonato sem sobressaltos. É claramente um dos grandes do futebol nacional e que nesta edição pode deixar o seu perfume no ar.
De cambalhota em cambalhota, o Inter Clube de Angola é igualmente um dos grandes do futebol “doméstico”. Assume-se como candidato, mas não se lhe reconhecem investimentos de vulto.
Entretanto, tem no seu comando um técnico angolano habituado a estas andanças e com créditos firmados. Trata-se de Roque Sapiri, que ao lado de Moniz Frank, deu cartas no Sagrada Esperança da Lunda Norte.
O conhecimento da competição dos jogadores internos pode desempenhar um papel fundamental na arrumação da equipa da Polícia Nacional.
Por bandas do Palanca, o Kabuscorp local entra uma vez mais sem a chama do passado, com desejo claro: fazer a festa nos campos onde for jogar. É assim que os adeptos excêntricos do Clube liderado por Bento dos Santos Kangamba acostumaram os amantes do futebol.
O seu mercado de compras, como de costume, é a vizinha República Democrática do Congo. Com o Kabuscorp em campo, uma coisa está garantida: festa do futebol.
O 1º de Maio de Benguela, um histórico do Futebol Nacional, regressa a essa época aos grandes palcos. Como se vai segurar até a ponta final, e isso não se sabe.
A certeza que é Benguela passa a contar com três equipas na mais alta competição, sendo que Wiliete e Académica do Lobito passam a ter mais um concorrente nos dérbis locais, sendo ainda que cada equipa vai realizar quatro jogos localmente, reduzindo custos consideráveis.
Desportivo da Huíla, Recreativo do Libolo, Desportivo da Lunda Sul, Académica do Lobito, e Bravos do Maquis, que já lograram representar o país nas Afrotaças, são formações que com maior ou menor dificuldades asseguram a manutenção. Em todo o caso, terão de lutar, jornada após jornada, para garantir o estatuto de girabolistas.
Com níveis de competitividade respeitado, o São Salvador do Congo, que teve, no início, Joaquim Nfinda “Mozer” como técnico principal, e mais tarde Flávio da Silva Amado, é uma equipa a ter em conta, caso não haja desinvestimento. Os resultados da edição passada são para manter ou até mesmo superar.
Guelson Futebol Clube e Redonda do Bengo, são os estreantes da presente edição. Luta contra os grandes e habitués na competição, espera-se por muita disciplina das duas direcções para que possam fazer um campeonato tranquilo, dignificado o futebol, manter a verdade desportiva e, quiçá, “morder as calcanhas” das equipas mais experimentadas.
Wiliete de Benguela é um exemplo claro disso. E no passado, não muito longínquo, o Cambondo de Malanje, de Laurentino Abel Martins, já foi uma grata surpresa, merecendo a alcunha de “Manchester de Malanje”
Lançada que está a competição, vamos a bola e que vença o melhor!
Por: Miguel Kitari