
O Governo de Angola não considera prioritária qualquer negociação com o Movimento do Protetorado Português da Lunda Tchokwe, liderado por José Zecamutchima, por não o considerar uma ameaça à estabilidade política ou militar do país, revelou uma fonte bem posicionada no dossiê da questão Lunda.
Segundo a mesma fonte, conselheiros próximos do Presidente João Lourenço têm recomendado que se mantenha uma postura de distanciamento em relação ao movimento, acreditando que, sem apoio económico e político significativo, a organização acabará por enfraquecer devido à falta de união interna e dificuldades financeiras.
A abordagem do Governo, de acordo com a fonte, seria diferente caso o Movimento do Protetorado Português da Lunda Tchokwe representasse uma ameaça real à exploração de recursos naturais na região ou se contasse com forte apoio de potências ocidentais. A ausência desses fatores reforça a posição do Executivo de ignorar as reivindicações do grupo.
Mais de 240 ativistas ligados à causa Lunda estão presos há cerca de um ano, cumprindo penas que variam entre quatro e oito anos de prisão. No entanto, a falta de pressão da comunidade internacional e de organizações de defesa dos direitos humanos tem reforçado a convicção do Governo de que não há necessidade de colocar a questão como prioridade na sua agenda política.
A fonte alerta que o Movimento do Protetorado da Lunda Tchokwe deve apostar numa diplomacia mais ativa, destacando a defesa da autonomia como um caminho estratégico que pode gerar constrangimentos ao Governo, dificultando a sua narrativa belicista contra o movimento.
O silêncio do Executivo, segundo a fonte, faz parte de uma estratégia para desgastar e desmotivar o movimento, forçando-o a cometer erros que poderiam justificar uma repressão ainda mais severa.
Além disso, a falta de um envolvimento mais expressivo da população da região na luta pela autonomia enfraquece a posição do movimento. Caso houvesse uma mobilização popular massiva, o Governo já teria sido forçado a negociar há bastante tempo, acrescentou.
A oposição angolana também foi criticada pela fonte por não capitalizar politicamente a causa Lunda. Segundo a mesma, um acordo entre os partidos da oposição e o Movimento do Protetorado, garantindo a autonomia da região em caso de vitória eleitoral, poderia levar o eleitorado local a apoiar massivamente uma alternativa ao MPLA nas eleições de 2027.
Por outro lado, a postura inflexível e avessa à corrupção dos líderes do Movimento do Protetorado da Lunda Tchokwe tem dificultado um possível diálogo com o Governo, que preferiria protagonizar qualquer solução política para a região.
Para a fonte, tanto o MPLA quanto a oposição têm uma janela de oportunidade para negociar com os líderes do movimento, construindo uma aliança estratégica para futuras eleições. Contudo, enquanto não houver um consenso interno na Lunda e um apoio popular significativo, o Governo continuará a ignorar as reivindicações do movimento, mantendo-o à margem do debate político nacional.