Governo angolano manifesta preocupação com escalada no Médio Oriente e apela à contenção
Governo angolano manifesta preocupação com escalada no Médio Oriente e apela à contenção
irão

O Governo da República de Angola manifestou, esta segunda-feira, “extrema preocupação” com a grave escalada do conflito no Médio Oriente, na sequência dos ataques registados no Irão e das subsequentes retaliações verificadas nos Emirados Árabes Unidos, Reino da Arábia Saudita, Reino do Bahrein, Estado do Qatar, Estado do Kuweit e Sultanato de Oman.

Na declaração divulgada hoje, em Luanda, o Executivo angolano expressa profunda solidariedade para com os povos e as vítimas afectadas pelo conflito, sublinhando que os acontecimentos em curso colocam em risco a estabilidade regional e têm potenciais efeitos nefastos para a paz mundial.

A República de Angola defende a urgente necessidade de redução das tensões e o pleno respeito pelo Direito Internacional, em harmonia com a Carta das Organização das Nações Unidas, bem como pelos princípios da soberania, integridade territorial e não-agressão.

O Governo exorta todas as partes envolvidas a exercerem máxima contenção e a privilegiarem o diálogo através dos canais diplomáticos, com vista à cessação imediata das hostilidades e ao restabelecimento da paz e estabilidade regionais.

CEDEAO também expressa “profunda preocupação”

Entretanto, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) declarou-se igualmente “profundamente preocupada” com a escalada das hostilidades na região do Golfo Pérsico, na sequência dos ataques dos Estados Unidos da América e de Israel contra o Irão.

Numa nota divulgada nas redes sociais, a organização alertou que a intensificação das acções militares poderá ampliar a instabilidade no Médio Oriente, com sérias consequências para a paz e segurança internacionais, além de impactos negativos nos mercados globais de energia, no comércio e nas cadeias de abastecimento alimentar, especialmente em África e noutras regiões vulneráveis.

A presidência rotativa da CEDEAO é actualmente exercida pelo chefe de Estado da Serra Leoa, Julius Maada Bio, que reforçou o apelo à máxima contenção e ao respeito pela Carta das Nações Unidas e pelo direito internacional, com particular ênfase nos princípios da soberania, integridade territorial e resolução pacífica de litígios.

A organização defendeu ainda que a protecção de vidas civis e de infra-estruturas críticas deve ser prioridade absoluta, apelando à renovação dos esforços diplomáticos, tanto no quadro de mecanismos internacionais como regionais.

A CEDEAO associou-se às posições já manifestadas pela União Africana, reafirmando o compromisso da África Ocidental com o multilateralismo e a resolução pacífica de conflitos.

Conflito intensifica-se

Os ataques iniciais foram lançados no sábado por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irão, sob o argumento de eliminar “ameaças iminentes” do regime iraniano.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visou neutralizar riscos imediatos, enquanto o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, classificou a acção como resposta a uma “ameaça existencial”.

Teerão respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas, agravando o clima de tensão.

Entretanto, a televisão estatal iraniana anunciou, de madrugada, a morte do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, que estava no poder há 36 anos. O país decretou um período de luto nacional de 40 dias e sete dias feriados.

Para assegurar a transição, foi nomeado um triunvirato temporário, integrando, entre outros, o dignitário religioso Alireza Arafi, membro da Assembleia dos Peritos e do Conselho dos Guardiões da Revolução.

A evolução da situação continua a ser acompanhada com atenção pela comunidade internacional, num momento em que crescem os receios de um alargamento do conflito e dos seus impactos globais.

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