
A antiga presidente do conselho de administração da Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP), Maria Luísa Abrantes, revelou que a revista Jeune Afrique solicitou ao Governo angolano, em 2012 e 2013, o pagamento de oito milhões de dólares para organizar uma conferência anual sobre Angola.
A revelação consta de um artigo de opinião recente da ex-responsável, também conhecida por “Milucha”, no qual questiona o papel da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX), entidade que sucedeu à ANIP.
Segundo Maria Luísa Abrantes, a proposta terá sido apresentada à época em que o país era liderado pelo então Presidente da República, José Eduardo dos Santos, prevendo, além do pagamento, que a organização arrecadasse integralmente as receitas provenientes das inscrições e dos patrocínios do evento.
“A Jeune Afrique aproximou-se insistentemente da ANIP e pediu que o Governo pagasse oito milhões de dólares para organizar, anualmente, uma conferência sobre Angola. Teriam ainda direito à totalidade das receitas das inscrições e dos patrocínios. Como é evidente, não aceitamos”, refere a autora.
A antiga gestora justificou a recusa com o perfil dos potenciais participantes, afirmando que se tratariam maioritariamente de membros de governos africanos e não de investidores, o que, no seu entender, não correspondia aos objectivos de captação de investimento estrangeiro.
Apesar da divergência, Maria Luísa Abrantes sublinha que foi posteriormente distinguida pela própria revista, tendo sido incluída, em 2014, entre as 20 mulheres africanas que mais contribuíram para o desenvolvimento do continente, e, em 2018, entre as 50 mulheres mais poderosas de África.
A Jeune Afrique, fundada em 1960 na Tunísia, é uma das principais publicações dedicadas à actualidade política e económica africana, tendo sido dirigida por Amir Ben Yahmed, filho do fundador Béchir Ben Yahmed.
A actual AIPEX, criada em 2018 por decreto presidencial, resulta da fusão de entidades anteriores e tem como missão promover o investimento privado e as exportações, funcionando como interlocutor único para investidores nacionais e estrangeiros em Angola.