
O Governo Provincial de Luanda anunciou hoje, quinta-feira, 8 de Junho, que está proibido o transporte de passageiros, no centro da cidade, em motorizadas (de três rodas) para mercadorias, vulgo “kupapatas” ou, se preferir, “kaleluias”.
A informação foi avançada pelo director de Trânsito e Segurança Rodoviária de Luanda, Simão Saúlo. “Estes motociclos foram concebidos e adaptados exclusivamente para o transporte de mercadorias e não de passageiros como se tem verificado, portanto, estamos a redobrar a fiscalização no sentido de repor a legalidade”, alertou.
De acordo com o responsável, os indivíduos que não cumprirem com a medida vão ser penalizados. “Os motociclistas que circulam nas pedonais, em sentido contrário, nos passeios e os que violam o sinal vermelho do semáforo, também vão ser penalizados por estas práticas”, sublinhou o responsável.
De realçar que, nos últimos meses, em cada esquina ou ruela da capital do país, ouve-se o “roncar” das kupapatas, que invadem as principais artérias, cobrindo o défice de transportes públicos. Passageiros reconhecem perigos, mas alegam custo de vida elevado e dificuldades na locomoção como razão para o uso das motorizadas de três rodas.
Antes, as motorizadas de três rodas só serviam para o transporte de cargas, com a circulação restringida à periferia de Luanda. Nos dias que correm, esses arrojados meios de transporte saíram dos subúrbios e “tomaram de assalto” os grandes asfaltos, disputando os passageiros com os candongueiros que até então monopolizavam os serviços de táxi nas zonas urbanas.
Para além de cobrirem o défice de transportes públicos na capital do país, as moto-táxis tornaram-se num meio de rendimento para muitas famílias e alternativa de deslocação de pessoas a alguns pontos de Luanda, com destaque para os bairros periféricos, onde os candongueiros não chegam devido ao mau estado das vias.
Por exemplo, nos municípios de Belas, Kilamba Kiaxi, Viana, Cazenga e Cacuaco, a maioria dos condutores, de diversas faixas etárias, faz o serviço de moto-táxi sem o uso do capacete e sem a carta de condução que os habilite a essa actividade.
Outrossim, o Governo da Província de Luanda suspendeu a partir ontem, quarta-feira, 7 de Junho, a venda grossista em zonas urbanas em todos municípios da província, no âmbito do reordenamento da actividade comercial.
Segundo um comunicado do Governo da Província de Luanda, os estabelecimentos comerciais em zonas urbanas, que não obedecerem à lei em vigor, “estarão sujeitos a uma inspecção multissectorial”, a partir do dia 12 de Junho de 2023, obedecendo a um calendário previamente estabelecido pelas administrações municipais.