Governo exige medidas práticas face à importação de frangos
Governo exige medidas práticas face à importação de frangos
porto Lua

A actual importação de carne de frango e que custa ao país 170 milhões de dólares/ano com a sua aquisição no exterior deve ser vista pelos empresários do ramo como um factor de oportunidade de negócio, por via da criação de condições para auto-suficiência na produção nacional.

Na reunião, realizada, segunda-feira, em Luanda, com a Associação Nacional de Avicultores (ANAVI) e filiados de diferentes zonas do país, o ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, reconheceu que os números actuais confirmam a redução das importações como consequência do aumento da oferta interna.

Todavia, disse José de Lima Massano, deve-se produzir ainda mais porque,no exercício passado, já foram tomadas um conjunto de medidas para estimular a produção e no orçamento em vigor constam outros instrumentos de apoio.

“Ainda assim, contrariamente às nossas expectativas, assiste-se a um crescimento, mas que do lado do Governo entende-se que poderia ser mais acentuado”, disse o ministro de Estado.

O exercício que reuniu ministro de Estado para a Coordenação Económica com os produtores associados do sector Avícola visou identificar soluções imediatas de aumento da oferta de frangos e ovos.

Soluções indicadas

O secretário de Estado para a Agricultura e Pecuária, João Bartolomeu da Cunha, disse, no final do encontro, que o Governo chamou a ANAVI para passar em revista o sector e encontrar soluções às dificuldades vividas, nos últimos anos, pelos produtores desse ramo agrícola.

Uma das questões levantadas pelos avicultores foi a da dificuldade de aquisição de matéria-prima para a obtenção de ração.

Nesse sentido, explicou o secretário de Estado, constatou-se que o país tem capacidade instalada para produzir frango e ovo sem recurso à importação. Concluiu-se a existência de défice de disponibilidade de grãos (milho e soja) para a produção de ração.

Nesse capítulo, o encontro decidiu, para durante um curto período de tempo, ser autorizada a importação de milho e soja, de modos a ser transformada no país. Relativamente à importação de serração, esta possibilidade foi descartada, porquanto há capacidade interna para o efeito.

O Governo entende que face à existência de esforços e políticas de promoção à produção nacional de grãos e para não criar roturas na dinâmica já vivida, o Executivo assume a missão de promover maior interacção entre os produtores de grãos (milho e soja) e os avicultores.

A ideia é serem estabelecidos contratos de compra dirigida, permitindo que, com clientes identificados, exista uma maior aposta na produção dos referidos grãos, e isso podendo os produtores recorrerem para já aos vários programas e instrumentos de financiamento criados pelo Governo.

João da Cunha indicou o Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), o Fundo de Garantia de Crédito (FGC) e mesmo o Fundo Angolano de Capital de Risco (FACRA) como exemplos de iniciativas do Governo para o financiamento e promoção do fomento da produção interna.

“Os fundos do Governo, o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) e muitos outros bancos têm estado a financiar a produção nacional. Acreditamos que ao existir uma maior interacção entre os diversos actores vai ser possível aumentar, substancialmente, ainda a curto e médio prazo a capacidade de produção de grãos no país”, disse.

Aquisição de insumos

Um dado realçado por João da Cunha é o de o país ter adquirido já de forma antecipada insumos para apoiar o ano agrícola. Por esse facto, pelas províncias, afirmou, estão já distribuídas 40 mil toneladas de fertilizantes o referido objectivo.

Deverão chegar, muito brevemente, acrescentou o secretário de Estado, mais 250 mil toneladas de fertilizantes, o que vai permitir que a sua maior disponibilidade resulte numa maior produção de grãos pelo país inteiro.

No plano do Governo consta ainda a melhoria da divulgação de informação em relação aos preços e pontos de produção, para permitir que o mercado tenha acesso a dados fiáveis sobre onde e com quanto comprar os grãos disponíveis.

Nova Fumetal vai produzir moagens

O empresário e director-geral da Nova Fumetal, Jamir Baptista, sublinhou que a empresa está pronta para fomentar a produção interna de moagens.

A partir da província de Benguela, onde está fixada, Jamir Baptista veio a Luanda para assegurar que a Nova Fumetal está pronta para garantir a produção interna de matadouros/abatedores de frangos sem recurso ao exterior.

“A componente do frango não está só ligada à temática do milho e da soja. Há um problema muito sério que tem que ver com os matadouros ou abatedores e as indústrias de transformação. Nessa reunião, recebemos a garantia do executivo que Indústrias como a Nova Fumetal de Benguela serão apoiadas de forma determinante para que consigam aumentar a sua capacidade de produção de fábricas de ração e matadouros modulares feitas em Angola”, disse.

Jamir Baptista afirmou que a trabalhar deste modo, o Governo vai garantir o funcionamento normal e pleno da cadeia da produção do frango, pois ter-se-á, assegurada, a produção de milho e soja, e a componente industrial para dar a garantia de um produto aceitável e com as condições essenciais para se ir aos supermercados com qualidade.

“A integração que faltava noutrora passa, deste modo, a funcionar. Há um sincronismo entre o Governo e os produtores e isso na perspectiva de continuidade e de redução gradual da importação”, afirmou.

ANAVI garante mais 10 mil toneladas numa primeira fase

A Associação Nacional de Avicultores (ANAVI) deu, segunda-feira, em Luanda, garantias ao Governo de que caso se concretize a medida de aumento da oferta (produção nacional e importados) de grãos (milho e soja), no curto prazo, o sector pode garantir até mais 10 mil toneladas de carne de frango de produção nacional. A afirmação é do presidente de direcção da ANAVI, Rui Santos.

O número representa um passo inicial ante o desafio de se perseguir a cifra de 300 mil toneladas tidas como quantidade do consumo interno, das quais a produção interna responde a pouco mais de 16 por cento,ou seja, 50 mil toneladas.

Segundo o líder dos avicultores, há sete anos, existiam no,país, 120 produtores avícolas catalogados e que neste momento se está a fazer um recenseamento parauma nova apuração dos reais produtores angolanos de frangos e ovos.

“Angola importa grande parte da necessidade de frango de carne e isso apesar das condições existentes. Na nossa reunião com o Governo ficou expresso que há vontade e nisso o próprio executivo prontificou-se a dar solução a preocupação exposta pelos avicultores sobre a impossibilidade de produção efectiva de frango com os actuais custos dos insumos, propriamente ração (milho e soja). O compromisso foi o de ultrapassar-se os custos de mercado com os produtos, com o compromisso de os produtores, rapidamente, superarem as actuais importações”, disse.

Rui Santos fez saber que 80 por cento dos pequenos e médios avicultores cadastrados pela ANAVI, por dificuldades de acesso às divisas para aquisição de insumos, encerrou as portas e o objectivo, atendendo as garantias do Governo, é de recuperar essa franja necessária ao pleno funcionamento o sector.

Entre as linhas de prioridades definidas, o presidente de direcção da ANAVI assumiu que a recuperação dos aviários paralisados vai assegurar a retoma gradual dos níveis de produção nacional do frango e dos ovos.

in JA

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