Grevistas da Sociedade Mineira do Cuango feitos “reféns” pela PIR, FAA e PGF
Grevistas da Sociedade Mineira do Cuango feitos "reféns" pela PIR, FAA e PGF
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A Sociedade Mineira do Cuango é acusada de fazer reféns cerca de 600 trabalhadores, devido à greve que se regista na base da mina, localizada na província da Lunda Norte. Esta versão é desmentida pela diamantífera, a segunda maior mina pública-privada de Angola, que considera a greve ilegal.

Os trabalhadores da Sociedade Mineira do Cuango (SMC), província da Lunda-Norte, no norte de Angola, observam, desde o dia 20 de Julho, uma greve por falta de seguro de saúde, condições de trabalho e de melhoria salarial.

Segundo Ferraz Afonso, líder da Comissão Sindical da Sociedade Mineira do Cuango, face à greve, supostos efectivos da Polícia Nacional (PN) e das Forças Armadas Angolanas (FAA) começaram na sexta-feira, 4 de agosto, a impedir os operários de abandonarem a base da mina, forçando-os a trabalhar com armas apontadas à cabeça.

O sindicalista diz que, neste momento, os trabalhadores clamam por comida e água, uma vez que se encontram impedidos de sair da base da Sociedade Mineira do Cuango.

“Nós estamos aqui na mata sem comida, sem água, sem nada cativado. O carro que estava a transportar-nos no bairro foi bloqueado. E a direcção da empresa convocou um exército, vamos dizer que é um exército, PIR [Polícia de Intervenção Rápida], FAA [Forças Armadas Angolanas] e Polícia de Guarda Fronteiriça vieram em prontidão, [e dizem que] ‘se não trabalharem vamos matar-vos ou vamos levar-vos para a cadeia’”, denunciou Ferraz Afonso.

Por sua vez, Artur Jorge Gonçalves, presidente do Conselho de Administração da Sociedade Mineira do Cuango, nega todas as acusações, explicando que são os operários que estão a impedir a saída da gerência da mina.

O dirigente administrativo esclarece, ainda, que a presença da polícia nacional no local é para manter a segurança e conter possíveis desacatos que possam surgir, já que também há uma providência cautelar contra suspensão da greve.

“Quem está retido na base somos nós e não eles. Eles é que não nos deixam sair nem entrar na base, ou seja, os trabalhadores, que nesta altura já não podiam estar em greve porque nós intentámos uma acção judicial ao tribunal porque entendemos que a greve não era legal, seguindo os preceitos legais e solicitámos uma providência cautelar”, especificou o gestor.

O responsável diz que os trabalhos exigem, entre outros pontos, o seguro de saúde, o aumento salarial e o subsídio de risco que, supostamente, a entidade patronal se nega a cumprir.

“Estamos a exigir a saúde, aumento salarial, cesta básica e subsídio de risco. Mas a empresa, todo este tempo em que nós fizemos a negociação, nunca respondeu. Quando viu que metemos o caderno reivindicativo, começou a responder. O presidente actual criou mais um grupo para colocar pessoas que eles acham”, sintetizou o sindicalista.

Em relação ao caso, Artur Jorge Gonçalves garante que todas as preocupações dos trabalhadores já foram respondidas e que, neste momento, a gerência está a dar o devido tratamento ao caderno reivindicativo.

A Sociedade Mineira situa-se na província da Lunda Norte e detém uma área de 3000 quilómetros de extensão, na zona do rio Cuango, cujas actividades tiverem efectivo em Dezembro de 2004. O projecto é o resultado de uma parceria entre a estatal Endiama, diamantífera publica angolana, a ITM e a Lumanhe.

in RFI

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