
A organização humanitária HALO Trust, presente em Angola há mais de três décadas na área da desminagem, anunciou a demissão de 350 trabalhadores em resultado de um processo de reestruturação interna motivado pela forte redução de financiamentos internacionais, especialmente após a suspensão da ajuda da USAID — Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional.
Segundo uma nota enviada ao Imparcial Press, a ONG refere que os despedimentos representam cerca de um quarto do efetivo em todo o país, e justificam-se pela necessidade de garantir a sustentabilidade das operações de desminagem.
Como parte do pacote de compensação, será promovida formação profissional com foco no empreendedorismo para os trabalhadores afetados.
A nota acrescenta que a sede da organização será transferida de forma definitiva para a cidade de Menongue, mantendo apenas uma presença reduzida no Huambo.
Esta medida visa garantir um apoio centralizado às províncias do Cuando Cubango e Bié, onde as operações da HALO permanecem activas.
“A nossa prioridade continua a ser a segurança das comunidades afectadas pelas minas terrestres”, declarou o brigadeiro Leonardo Sapalo, diretor-geral da Agência Nacional de Ação Contra Minas (ANAM), citado na nota enviada ao Imparcial Press.
Jack Lister, director nacional da HALO Trust em Angola, garantiu que a ONG está empenhada em tratar todos os trabalhadores de forma justa e em manter um elevado padrão de contribuição para o desenvolvimento do país.
A HALO Trust opera em Angola desde 1994 e já desminou mais de mil campos minados, tendo destruído mais de 118 mil minas terrestres. Recentemente, o Executivo angolano reforçou o compromisso de tornar o país livre de minas até 2027, com um plano de financiamento de 240 milhões de dólares.