
O general na reserva Higino Carneiro anunciou publicamente a sua intenção de se candidatar à presidência do MPLA, propondo uma “revitalização profunda” do partido no poder em Angola desde 1975.
Em carta aberta dirigida aos militantes e simpatizantes, o também ex-governador de Luanda compromete-se a devolver o poder de decisão às bases, combater a bajulação e reaproximar o partido da sociedade.
“Manifesto ser pré-candidato e apresentarei a minha candidatura à presidência do MPLA, formalizando-a junto dos órgãos competentes que forem criados para a realização do IX Congresso Ordinário”, lê-se no manifesto político, composto por 39 pontos.
Segundo Higino Carneiro, a sua decisão surge em resposta ao “clamor de inúmeros militantes de base e dirigentes de todos os escalões” do partido, que apelam à renovação interna e à valorização da militância.
O general defende a realização de eleições internas em todos os níveis da estrutura partidária, com total respeito pela vontade dos militantes. “A decisão deverá sempre ser dos militantes, que têm que eleger quem mereça o seu voto”, sustenta.
No documento, Higino Carneiro apela ao fim da cultura de silêncio e da bajulação dentro do MPLA. “Temos de romper com a cultura do ‘sim, Chefe’”, escreve, defendendo a promoção da crítica e autocrítica como ferramentas legítimas de correção e fortalecimento político.
O manifesto também propõe uma reconfiguração dos Comités de Acção do Partido (CAP), para que deixem de ser simples estruturas mobilizadoras e passem a atuar como núcleos de intervenção política junto das comunidades.
“Quero inspirar esperança — porque Angola precisa, mais do que nunca, de acreditar num futuro melhor”, afirma o general, sublinhando que a sua candidatura não resulta de ambição pessoal, nem de conflitos internos. “Esta minha decisão não se baseia numa agenda de ambição, perseguição ou ódio com quem quer que seja.”
O anúncio ocorre num momento de tensão interna no seio do partido. Em entrevista à Televisão Pública de Angola (TPA), no passado dia 9 de Junho, o actual líder do MPLA e Presidente da República, João Lourenço, afastou qualquer apoio institucional a potenciais candidatos à sua sucessão.
“Nem eu, nem o partido apoiamos absolutamente ninguém”, afirmou, alertando para tentativas de manipulação que alegam possuir a sua “bênção”.
Lourenço também criticou, na mesma ocasião, militantes que se assumem como “super generais” e “predestinados a ser Presidente da República”, considerando essas atitudes prejudiciais à democracia interna do partido.
Apesar disso, Higino Carneiro afirma que sua candidatura é um “compromisso com aquilo que somos capazes de ser” e uma convocação à unidade, à renovação e ao reencontro com os princípios fundadores do MPLA.
A corrida à liderança do partido deverá intensificar-se à medida que se aproxima o IX Congresso Ordinário, previsto para o próximo ano.