Higino Carneiro e ‘Nandó’ na corrida para suceder João Lourenço no MPLA
Higino Carneiro e 'Nandó' na corrida para suceder João Lourenço no MPLA
JL nando e higino

O general Higino Carneiro não é o único histórico do MPLA (Movimento Popular para a Libertação de Angola) que admite candidatar-se à liderança do partido para ocupar a vaga que será deixada por João Loureço. Fernando Piedade Dias dos Santos, conhecido como “Nandó”, é outra das figuras de referência do MPLA que admite avançar com uma candidatura.

“Nandó”, agora com 74 anos, ocupou vários cargos de destaque nos governos do antigo Presidente José Eduardo dos Santos, tendo sido ministro do Interior (entre 1999 e 2022), primeiro-ministro (de 2002 e 2008), vice-Presidente da República (de 2010 a 2012) e presidente da Assembleia Nacional em dois períodos, primeiro entre 2008 e 2010 e depois de 2012 a 2022.

Fernando Piedade Dias dos Santos, apesar da sua estreita ligação a José Eduardo dos Santos, nunca foi envolvido em qualquer caso de natureza judicial, ao contrário do que sucedeu a outras figuras proeminentes de Estado angolano que tiveram relações próximas com o antigo Presidente, falecido a 8 de Julho de 2022.

Em Dezembro do ano passado, o seu filho, Cláudio, manifestou a intenção de concorrer à liderança do MPLA, mas esta é uma hipótese vista como remota. “Eu, Cláudio Dias dos Santos, garanto que a minha candidatura irá respeitar os estatutos do partido bem como a promoção e a defesa da democracia”, anunciou então num vídeo enviado à Voz da América.

Higino Carneiro está garantido

Higino Carneiro já se posicionou irreversivelmente nesta corrida. “Estou a ponderar concorrer à liderança do MPLA, mas o nosso partido tem estatutos. É necessário que o comité central defina os passos para que surjam candidaturas. Havendo essa oportunidade, estarei na linha da frente”, disse o general, que foi governador das províncias de Luanda e do Cuando Cubango e ministro das Obras Públicas (2001-2010), em entrevista à rádio Correio da Kianda.

Higino Carneiro afirmou serem necessárias “mudanças” no MPLA, acrescentando ter “chegado o momento do MPLA recuperar a mística ganhadora que se traduziu ao longo dos anos num partido organizado, forte, coeso, disciplinado e sempre olhando para o futuro com confiança”.

O general, em Fevereiro de 2019, chegou a ser constituído arguido em seis processos-crime relacionados com a gestão danosa de Luanda enquanto governador (2016-17), suspeito de peculato, violação de normas de execução do plano e orçamento, abuso de poder, associação criminosa e corrupção passiva e branqueamento de capitais.

Todavia, o caso caiu por terra em Maio de 2022, altura em que o Tribunal Supremo emitiu um despacho de “despronúncia e arquivamento” dos processos, ilibando assim Higino Carneiro dos crimes que lhe eram imputados.

O congresso do MPLA, no qual se vai decidir a sucessão de João Lourenço, apenas se realizará em 2026, mas estas movimentações mostram que o actual presidente do partido e do país poderá estar a perder a prerrogativa de ser ele a escolher o seu substituto.

Avançando tão cedo, Higino Carneiro força desde já um silencioso contar de espingardas no seio do MPLA. A circunstância de ter sido ilibado dos processos criminais em que se viu envolvido constitui uma espécie de carta de alforria, na medida em que liberta o general, actualmente com 68 anos, de narrativas ligadas ao mau uso de dinheiros públicos.

O cargo que falta a Piedade dos Santos

Higino Carneiro, segundo informação partilhada pelos seu círculo de apoiantes, pretende um alteração profunda da Constituição, que permita uma fiscalização pelos deputados dos atos do governo e retirar ou limitar ao máximo a contratação simplificada, prática a que nos últimos tempos João Lourenço tem recorrido com frequência.

Tenciona ainda criar uma alta autoridade contra corrupção liderada por magistrados e eleita pela Assembleia Nacional e fazer um pedido de desculpas público pela corrupção que tem vindo a agravar a vida dos cidadãos.

Quanto a Fernando Piedade Dias dos Santos, a chegada à liderança do MPLA que lhe permitirá ser candidato a presidente do país seria o último degrau de uma carreira política durante a qual desempenhou os cargos mais relevantes, abaixo de chefe de Estado, isto é, primeiro-ministro, presidente da Assembleia Nacional e vice-presidente da República. Em todo o caso, fica uma certeza: a procissão que conduzirá à substituição de João Lourenço já saiu do adro.

in Negócios

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