Homens pacíficos vivendo em paz – Filipe Cahungo
Homens pacíficos vivendo em paz - Filipe Cahungo
Filipe

O 4 de Abril representa um momento de elevada estima, por razões que todos nós conhecemos. Por essa razão, no nosso país, é celebrado e consagrado como o dia da paz. Para o nosso caso, que a paz resultou do conflito fratricídio, ela deve obedecer a três momentos.

O primeiro momento já foi alcançado, que é exatamente o término do conflito. O segundo momento é a fase da reconstrução espiritual e relacional, porque a guerra embrutece os homens e, finalmente, um terceiro momento tem a ver com a fase de todos sermos capazes de sacrificar os nossos partidos para colocar o País em primeiro lugar.

A paz, também, nos faz crer que é possível em nome do país se desfazer dos egoísmos partidários e pensar o país, pensar o país em tempo de paz é colocarmo-nos todos em uma mesma mesa e debatermos os nossos problemas.

Ao nível da cronologia, 22 anos é suficiente para a afirmação do carácter humano. Os psicólogos, por exemplo, afirmam que a personalidade de uma pessoa forma-se aos 7 anos.

Nesses 22 anos, com certeza, estamos todos cônscios de que nos serviram apenas para reconstruir o país, mas de que forma reconstruímos o país?
Com valores perenes ou líquidos, como chama Zygmunt Bauman?

No fundo, falar de paz remete-nos a três valores existenciais: valor antropológico, valor ético e o valor económico. O número três, na cultura cristã, representa a Santíssima Trindade; e para nossa história representa as três fases conflituantes ou momentos que se faz uma travessia em tempestade: momento da luta pela Independência, o momento da guerra civil e, por último, o momento das incertezas.

Por essa razão, uma vez mais termos nos perguntado para aonde vai Angola?

Mas não nos assustemos, porque ainda nada está perdido. Mas o número três também é representado pelos três líderes dos movimentos de libertação; FNLA, MPLA e UNITA.

Os 22 anos de paz devem ser para celebrarmos o país e não investir na “construção de ilhas”, pois o país se constrói com todas as forças integrantes.

Deve ser, igualmente, momento para se investir fortemente na educação porque o que se espera em tempo de paz é a convivência pacífica entre os homens. Mas isso já mais acontecerá, quando ainda continuamos a dar primazia à Defesa.

Essa opção, a nosso ver, pode resultar de um erro de lógica porque um homem não educado e mal nutrido não tem moral alguma para defender qualquer país.

Os valores do patriotismo, da paz e tolerância se constoem quando cada um tem algo sobre a mesa para comer, por isso os latinos certo dia responderam aos gregos ao afirmarem “Prima vivere deinde philosophare” que traduzido em português significa: “primeiro viver depois filosofar”.

Celebremos o 4 de Abril sob o lema: “Juntos pelo Crescimento Inclusivo do País“. Só se vive junto quando nos tornamos homens pacíficos, e o crescimento só é inclusivo quando temos o país como a nossa primeira opção. Será que se investiu para a construção desses valores?

As circunstâncias vão nos ajudar a responder essa questão, importa realçar que o valor da paz se torna concreto ou ganha corpo em homens pacíficos. Ou seja, para que haja paz é preciso e necessário a existência de homens pacíficos.

*Filósofo e professor

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