
O presidente do Clube Recreativo da Caála, Horácio Mosquito, colocou, terça-feira, o cargo à disposição, com o propósito de concorrer à presidência da Federação Angolana de Futebol (FAF), em 2024.
Horácio Mosquito, que conduziu os destinos do Recreativo da Caála, por mais de dez anos, anunciou esta medida durante a Assembleia Extraordinária de sócios, realizada na sede do Clube, localizada no município da Caála, província do Huambo.
De acordo com a Rádio Cinco, Horácio Mosquito justifica a medida em obediências às disposições legais constantes no Regulamento da FAF, que impedem os presidentes de clubes, em funções efectivas, a concorram para o cadeirão máximo do órgão reitor do futebol angolano, por incompatibilidades.
O dirigente desportivo refere que a intenção de ser presidente da FAF está baseada no facto de entender que o futebol angolano precisa de uma reestruturação forte e, para tal, se considera uma pessoa ideal e com qualidades que podem ajudar a transformar essa modalidade.
Disse ter um projecto focado no melhoramento da qualidade competitiva do futebol angolano, com a transformação da modalidade numa “arma de negócio”, à semelhança da realidade de outros países, assim como promover uma liderança digna a altura da FAF e acabar com os “esquemas” no seu funcionamento.
Fez saber que com a sua saída na direcção do Recreativo da Caála, o clube será liderado por uma Comissão de Gestão, que será constituída nos próximos dias, até a eleição do novo presidente, em 2024.
Ao longo do seu mandato, explicou, esta Comissão de Gestão terá a missão de trabalhar, com o apoio de outras estruturas, na criação de uma base metodológica para o funcionamento do clube, através da implementação de um plano de reestruturação, que já foi apresentado à Mesa de Assembleia.
Acrescentou que este projecto visa, igualmente, transformar o clube em uma Sociedade Anónima Desportiva (SAD), cuja perspectiva passa, essencialmente, na concretização de um projecto denominado mundo azul, que vai consistir na construção de um edifício com áreas comerciais que serão arrendadas a terceiros.
Segundo Horácio Mosquito, não se trata de um projecto de papel, mas que visa fazer a andar a agremiação desportiva, para que continue viva.
“Com isto, quero vos dizer que o Caála está vivo e vai continuar vivo. Agora temos pela frente, cerca de 15 meses, sob a liderança de uma Comissão de Gestão, para pagarmos as dívidas, implementar novos projectos e novas empreitadas para transformá-lo numa sociedade desportiva, visando o seu desenvolvimento”, disse Horácio Mosquito.
Perante uma plateia constituída por sócios e membros da direcção, salientou que, apesar de deixar a direcção do clube, vai fazer parte de uma comissão “ad-hoc”, para contribuir na implementação do plano de reestruturação do clube, visando o alcance dos objectivos preconizados.
“Tratar-se de um até já”, disse Horácio Mosquito, ao manifestar o desejo de assumir a direcção do clube nos próximos tempos, tão logo seja concretizada e, posteriormente, termine a missão na FAF.
O presidente cessante do Caála fez um balanço positivo da liderança à frente da agremiação desportiva.
De igual modo, considerou positivo o contributo do clube no desenvolvimento do desporto no país, ao longo dos 14 anos de competição no Girabola e noutras provas.
Sobre a desistência do Recreativo da Caála no Girabola, referiu que a decisão foi da direcção do clube, tendo em conta as dificuldades que a agremiação enfrentava para poder suportar os custos operacionais, para a disputa das competições e pagamentos dos salários dos atletas.
Fundado em 1944, teve como melhor prestação, a segunda posição no Campeonato Nacional de futebol da primeira divisão (Girabola2010), enquanto a pior aconteceu em 2016, quando ocupou o 11º lugar.
Para além do Girabola, já disputou a Taça de Angola desde 2009.
Antes da Independência Nacional conquistou o Campeonato Provincial de futebol de Angola, competição instituída em 1941.
in Angop