
Cerca de quatro activistas foram detidos ilegalmente – nos seus domicílios – nas primeiras horas de sábado, 17, na província do Huambo, pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC), poucas horas antes da realização da manifestação “pacífica” nacional convocada contra o fim da venda ambulante, lei das ONG e aumento do combustível no país.
Segundo as informações em posse do Imparcial Press, os activistas capturados, ou seja, raptados pelo SIC em cumprimento de uma orientação baixada pela Delegação do Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), do Huambo, em violação a Constituição da República e demais leis avulsas.
Os activistas raptados pelas autoridades são: José Esprangil (líder municipal do projecto político PRA-JÁ servir Angola), Jaime Fernando (secretário provincial adjunto do MEA no Huambo), Junilson Capoco e Sabino Dumba (os dois últimos são do Movimento Cívico Mudei).
Consoante as informações postas a circular nas redes sociais, a detenção dos activistas – que agora são acusados de associação criminosa e incentivo à rebelião – ocorreu por volta das 4 e 5 horas da manhã, quando ainda descansavam com as suas famílias.
O presidente do Jango Cultural, Luís de Castro, disse que foi surpreendido por volta das 5 horas com ligações dos familiares que davam conta de que os seus companheiros estavam detidos.
“Para o nosso espanto recebemos ligações das famílias a informarem-nos de que os nossos companheiros foram raptados. Fomos em suas casas. Numa das casas, os agentes do SIC entraram pelo tecto e efectuaram disparos que seriam fatais”, disse.
O também activista revelou que manteve um encontro com o comandante provincial da polícia nacional e delegado do Ministério do Interior no Huambo, e, na altura, ficou a garantia de que os jovens seriam postos em liberdade. Facto que, até hoje, não aconteceu.
Luís de Castro diz ter entrado em contacto com o director do SIC, para saber o motivo da detenção, mas ficou surpreendido com as informações de que o caso já não dependia do SIC, mas sim do Ministério Público.

“Isto espanta-nos porque há três dias nós nos reunimos e deliberamos que não haveria manifestação no Huambo, pois ainda as famílias estão abaladas pelas mortes do 5 de Junho”, lamentou, apelando ao cumprimento da Constituição e demais leis.
“As ordens superiores devem ter rosto e não devem estar acima da Constituição e da Lei, infelizmente este é um acto muito triste, porque não havia tendência nenhuma de realizarmos a manifestação”, rematou.