Huíla: Trabalhadores da Rádio 2000, sem salários há 14 meses, anunciam greve
Huíla: Trabalhadores da Rádio 2000, sem salários há 14 meses, anunciam greve
Radio 2000

Os trabalhadores da Rádio Comercial 2000, na cidade do Lubango, com mais de um ano de salários em atraso, prometem entrar em greve no final do mês de Maio, caso a entidade empregadora não dê sinais de liquidação da dívida.

A empresa, que estará a viver um dos seus piores momentos financeiros da sua história agravado com a crise da Covid-19 que forçou a retirada de empresas e igrejas com espaços de antena pagos, deve salários referentes a todo o ano de 2022 e no presente ano de 2023, tendo pago apenas os meses de Janeiro e Fevereiro.

Os funcionários que dizem auferir um salário baixo, afirmam estar a passar momentos difíceis e exigem da entidade patronal uma solução do problema.

Alberto Figueiredo, jornalista com mais de 10 anos de casa e membro da comissão sindical, fala de um quadro difícil que se estende à falta de condições laborais e violações graves aos direitos dos trabalhadores.

“Nós estamos aqui na Rádio 2000 de segunda a segunda e às vezes não temos aquela vontade de entrar de férias porque, mesmo estando em gozo de férias, você não tem subsídio de férias. Com estômago vazio não se pensa, não se produz para desenvolver, mas mesmo assim fazendo de tripas coração como se tem dito nós todos os dias estamos aqui”, diz Figueiredo.

Dos actuais 27 trabalhadores, alguns já atingiram a idade da reforma, mas os problemas financeiros da empresa com reflexos nas contribuições para a segurança social fazem com que muitos deles tenham que continuar a trabalhar.

“Alguns já cansados pela idade só para imaginar estamos a falar aqui do pessoal sobretudo da limpeza que já merecia estar na reforma a bastante tempo, mas até aqui continuam no nosso seio”, afirmou aquele profissional.

Rita Dias é técnica de som há 22 anos e lamenta o estágio em que a empresa chegou. “Eu sempre sonhei que nesta altura do ano, no mundo globalizado em que estamos, a Rádio 2000 estivesse num patamar muito alto. É a primeira rádio comercial na região sul e sempre viveu bons momentos financeiros e estar na situação em que se encontra é uma tristeza muito grande para mim”, lamenta.

Sindicato acompanha e directora interina diz que não está autorizada a responder

A directora da Rádio 2000, Rosa Gonçalves, encontra-se fora do país por razões de saúde, mas a directora interina e jornalista Neusa Capelão, apesar de estar ao corrente dos problemas, disse a Voz da América não estar autorizada a falar.

O Sindicato dos Jornalistas Angolanos na Huíla diz estar a acompanhar com preocupação a situação dos filiados naquela empresa de comunicação, segundo fez saber o seu membro de direcção, João Katumbela.

“Qualquer acção que a gente quiser tomar vai depender da intenção dos colegas se eles não manifestaram nenhuma intenção de reclamação ou de pelo trabalhar num caderno reivindicativo para que se exija o pagamento desses salários o sindicato não terá como intervir e isso vai fazer com que os colegas caiam em violações de algumas normas porque facilmente o colega que está há cinco sem salários se pode corromper”, afirmou Katumbela.

A Rádio 2000 é detida por um grupo empresarial ligado ao MPLA.

A greve anunciada agora para o mês de Maio estava previsto para acontecer em antes, mas foi adiada por conta da intervenção do primeiro secretário do MPLA, Nuno Mahapi, quem, em Janeiro, após uma visita à empresa terá prometido aos trabalhadores tudo fazer para ultrapassar o diferendo, situação que se mantém até ao momento.

O porta-voz do MPLA na Huíla, Castilho Cacumba, disse que o partido está solidário com os trabalhadores e reiterou o empenho com vista a ultrapassar o problema.

“Essa solução para o comité do partido na Huíla passa por uma advocacia, pelo que apelo às pessoas de boa-fé para que com a sua mão nos ajudem a ultrapassar essa situação. Em nome do camarada primeiro secretário apelamos aos trabalhadores da Rádio 2000 e seus familiares para que continuem a trabalhar com serenidade”, defendeu Cacumba.

A Rádio Comercial 2000 foi a primeira estação privada a surgir na região sul depois da abertura de Angola ao multipartidário em 1992 a par das rádios comerciais de Benguela, de Cabinda e Luanda Antena Comercial (LAC) na capital do país.

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