
O administrador do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), Raimundo Santa Rosa, considerou ontem, sexta-feira, 28, crítica a situação da Empresa Provincial de Águas e Saneamento de Benguela, visto o défice na capacidade de distribuição face à demanda actual.
O responsável do IGAPE falava aos jornalistas no final de uma visita de constatação ao estado de funcionamento da Estação de Tratamento de Águas (ETA) do Luongo, no município da Catumbela, no último dia da digressão à província de Benguela, para constatar a realidade do sector empresarial público.
Depois de visitar o Porto do Lobito, Caminho de Ferro de Benguela (CFB) e o Hotel Infotur, um activo já passado à gestão privada, o administrador do IGAPE e a delegação que o acompanha radiografou ontem o estado actual da Empresa Provincial de Águas de Benguela, que resulta da fusão das empresas afins de Benguela e do Lobito.
A visita, que teve como outro objectivo aproximar as equipas técnicas do IGAPE e das Águas de Benguela, permitiu ao Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado fazer um diagnóstico sobre os constrangimentos que a Empresa de Águas vive, bem como apontar soluções.
Segundo Raimundo Santa Rosa, a situação é crítica na medida em que a Empresa Provincial de Águas e Saneamento de Benguela serve toda a província, mas debate-se com um “défice gritante” de capacidade de captação, produção e distribuição de água perante a demanda que existe actualmente.
Em face desse cenário preocupante, o responsável foi peremptório em afirmar que há toda necessidade de a empresa quadruplicar a capacidade actual, para servir o nível de demanda que está crescendo tanto nas quatro cidades do litoral, quanto nos municípios do interior e comunas.
Além disso, o administrador do IGAPE disse ter identificado um outro problema, que, no fundo, também já é transversal a todas as empresas de águas e saneamento no país, que é a “discrepância” existente entre a produção da água até a sua distribuição e, depois, a facturação.
“É um problema que, depois, teremos que ver a nível mais estrutural, que é a falta de cultura de pagamento porque existem segmentos populacionais que não estão em condições de pagar”, referiu, defendendo que é preciso desenhar soluções para inverter este quadro.
Raimundo Santa Rosa deixou transparecer que os principais constrangimentos ao nível da Empresa de Águas e Saneamento de Benguela estão relacionados com o mau estado dos equipamentos essenciais para a captação, produção e distribuição da água.
A título de exemplo, disse que, no segmento da captação, houve alguns problemas no bombeamento da água destinada à Estação de Tratamento, no Luhongo, porque as bombas são já antigas, pois já ultrapassaram o tempo de vida útil.
Como consequência, aponta para os custos elevados de manutenção destes equipamentos praticamente “em estado obsoleto”, uma situaçao que se agrava nessa época de chuva face ao alto nível de turbidez que a água apresenta.
Mesmo assim, reconhece que a direcção da empresa tem feito um “esforço titânico”, no sentido de manter esses equipamentos.
Diz que é preocupante o facto de que os custos que a empresa tem tido estejam muito elevados, até porque, como revelou, numa fase normal estariam a gastar perto de 30 milhões de kwanzas/mês para tratar a água e hoje estão a gastar 90 milhões.
Investimentos são urgentes
Perante o cenário constatado in loco, o administrador do IGAPE admite que é urgente que se façam investimentos para o aumento da capacidade de produção e captação em Benguela, não obstante reconhecer que essa intervenção esteja, pelo menos por enquanto, fora do alcance da empresa.
Raimundo Santa Rosa entende que esses investimentos são mesmo inadiáveis e devem igualmente ter em atenção a necessidade da diminuição da turbidez da água captada no Rio Catumbela, através da instalação de tanques de captação, para diminuir os custos operacionais da empresa.
É nesse contexto que revela que, até ao momento, nenhum dos nove tanques previstos foi instalado, já que os projectos ainda não foram implementados, conquanto isto faça parte da agenda do Executivo para os próximos tempos.
“Já existem projectos e pensamos que, com essa visita e outras que vão se seguir, vai ser mais fácil (intervir), através de uma coordenação com o Governo Provincial de Benguela”, adiantou.
Aproveitou ainda a oportunidade para sublinhar que o lema do Presidente da República, João Lourenço, de “trabalhar mais e comunicar melhor” dá alento às equipas do IGAPE, da Empresa de Águas e do Governo Provincial, na busca de soluções para satisfazer as necessidades da população em termos de abastecimento de água.
in Angop